UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Mulher 60 anos apresentou hiperparatireoidismo primário. Em um primeiro momento, importantes comorbidades cardiovasculares impediram o seu tratamento cirúrgico, o que a levou a usar bifosfonados para controle de calcemia. Após a paratireoidectomia da glândula acometida, evoluiu com hipocalcemia, mantida, 10 dias depois, mesmo com três glândulas residuais íntegras, o que requer reposição de cálcio. Nesse caso, o tratamento e a possível causa da hipocalcemia podem estar relacionados, respectivamente, ao(à):
Hipocalcemia pós-paratireoidectomia em HPP → Fome óssea tratada com cálcio e calcitriol.
A 'fome óssea' é uma complicação comum após paratireoidectomia para hiperparatireoidismo primário, onde o esqueleto ávido por cálcio o retira rapidamente da circulação, causando hipocalcemia que requer reposição de cálcio e calcitriol.
A paratireoidectomia é o tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo primário (HPP), uma condição caracterizada pela secreção excessiva de PTH, levando à hipercalcemia e suas consequências. No entanto, o procedimento não é isento de complicações, sendo a hipocalcemia pós-operatória uma das mais frequentes e desafiadoras. Essa hipocalcemia pode ser transitória ou persistente, e uma de suas causas mais importantes é a síndrome da fome óssea. A síndrome da fome óssea ocorre quando, após a remoção da glândula paratireoide hiperfuncionante, os níveis de PTH caem abruptamente. O esqueleto, que estava cronicamente exposto a altos níveis de PTH e muitas vezes desmineralizado, torna-se 'ávido' por cálcio e fósforo, retirando-os rapidamente da circulação. Isso resulta em hipocalcemia e, por vezes, hipofosfatemia. Pacientes com doença óssea mais grave pré-operatória (como osteíte fibrosa cística) e níveis muito elevados de PTH têm maior risco. O tratamento da hipocalcemia pós-paratireoidectomia, especialmente na síndrome da fome óssea, envolve a reposição agressiva de cálcio (oral e/ou intravenoso) e a administração de calcitriol. O calcitriol é crucial porque estimula a absorção intestinal de cálcio e fósforo, ajudando a restaurar o balanço mineral. O manejo requer monitoramento rigoroso dos níveis de cálcio, fósforo e magnésio, ajustando as doses conforme a resposta do paciente para evitar tanto a hipocalcemia quanto a hipercalcemia de rebote.
É uma complicação caracterizada por hipocalcemia grave e persistente após a remoção de uma glândula paratireoide hiperfuncionante, devido à rápida captação de cálcio e fósforo pelo esqueleto que estava cronicamente desmineralizado.
O calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D) é a forma ativa da vitamina D e é essencial para aumentar a absorção intestinal de cálcio e fósforo, ajudando a normalizar os níveis séricos de cálcio de forma mais rápida e eficaz.
Fatores de risco incluem doença óssea grave pré-operatória (osteíte fibrosa cística), altos níveis de PTH pré-operatórios, grandes adenomas paratireoidianos e níveis elevados de fosfatase alcalina.
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