HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2020
Durante uma videolaparoscopia em paciente com histórico de dor abdominal e pélvica crônica, notam-se lesões peri-hepáticas tipo exsudato purulento envolvendo a cápsula de Glisson. O agente etiológico comumente envolvido nesse caso é:
Dor pélvica crônica + perihepatite (exsudato cápsula de Glisson) → Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis, pensar em Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia.
A descrição de lesões peri-hepáticas com exsudato purulento envolvendo a cápsula de Glisson em paciente com dor abdominal e pélvica crônica é característica da Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis. Esta condição é uma complicação da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), sendo os agentes etiológicos mais comuns a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis.
A Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (SFHC) é uma complicação da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizada por perihepatite, ou seja, inflamação da cápsula de Glisson (cápsula que reveste o fígado) e do peritônio adjacente. Embora a DIP seja uma infecção do trato genital superior feminino, a SFHC ocorre quando os patógenos se disseminam para a cavidade abdominal superior. É crucial para residentes reconhecerem essa condição, pois a dor no quadrante superior direito pode mascarar a origem pélvica da infecção. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias do trato genital inferior, principalmente Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, que causam a DIP e subsequentemente se espalham para a superfície hepática. Isso leva à formação de exsudato purulento e aderências fibrinosas entre a cápsula hepática e a parede abdominal anterior ou o diafragma, classicamente descritas como 'aderências em corda de violino'. Os sintomas incluem dor aguda ou crônica no quadrante superior direito, que pode ser agravada pela respiração profunda ou movimentos, além dos sintomas típicos da DIP como dor pélvica, corrimento e febre. O diagnóstico é frequentemente clínico, mas pode ser confirmado por exames de imagem (ultrassonografia, TC) que mostram achados inespecíficos, ou por laparoscopia, que permite a visualização direta das aderências. O tratamento consiste em antibioticoterapia direcionada aos agentes etiológicos da DIP (geralmente ceftriaxona e doxiciclina), com alívio sintomático. A identificação e tratamento precoces são importantes para prevenir a formação de aderências crônicas e dor persistente.
A Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis é uma perihepatite, inflamação da cápsula do fígado e do peritônio adjacente, que ocorre como complicação da Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Os sintomas incluem dor aguda ou crônica no quadrante superior direito do abdome, que pode irradiar para o ombro, febre e mal-estar, além dos sintomas pélvicos da DIP.
Os agentes etiológicos mais comuns são bactérias sexualmente transmissíveis, principalmente Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Estas bactérias ascendem do trato genital inferior, causando DIP e, em alguns casos, disseminam-se para a superfície hepática.
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas e na história de DIP. Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia podem mostrar espessamento da cápsula hepática ou ascite. A laparoscopia, como no caso, permite a visualização direta das aderências 'em corda de violino' e exsudato purulento na cápsula de Glisson, sendo o método diagnóstico definitivo.
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