Síndrome do Eutireoideo Doente: Diagnóstico e Manejo em Doenças Graves

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 84 anos foi internada devido à insuficiência cardíaca descompensada por quadro de erisipela bolhosa em membro inferior e evoluiu com quadro de delirium hipoativo. Na investigação complementar laboratorial, foram obtidos os seguintes resultados:Com base no caso clínico apresentado, é correto afirmar que o diagnóstico é de

Alternativas

  1. A) hipotireoidismo primário e é necessária a reposição de levotiroxina via oral.
  2. B) hipertireoidismo e é necessário o tratamento com tionamida.
  3. C) hipotireoidismo central e é necessária a reposição de levotiroxina via oral.
  4. D) síndrome do eutireoideo doente, sem indicação de reposição de levotiroxina.
  5. E) hipotireoidismo subclínico e, em virtude de cardiopatia como comorbidade, é necessária a reposição de levotiroxina via oral.

Pérola Clínica

TSH/T4L normais + T3 baixo + T3 reverso alto em doença grave = Síndrome Eutireoideo Doente.

Resumo-Chave

A Síndrome do Eutireoideo Doente (SED) é uma condição comum em pacientes com doenças graves não tireoidianas, caracterizada por TSH e T4 livre geralmente normais, T3 total baixo e T3 reverso (rT3) elevado, sem indicação de reposição hormonal, pois é uma adaptação metabólica.

Contexto Educacional

A Síndrome do Eutireoideo Doente (SED), também conhecida como síndrome da doença não tireoidiana, é uma condição comum em pacientes com doenças agudas ou crônicas graves, como insuficiência cardíaca descompensada, sepse, trauma ou cirurgias de grande porte. É uma adaptação metabólica do organismo para conservar energia em situações de estresse. A epidemiologia mostra que sua prevalência aumenta com a gravidade da doença subjacente, sendo um achado frequente em unidades de terapia intensiva. A fisiopatologia envolve alterações no metabolismo dos hormônios tireoidianos periféricos. Há uma diminuição da conversão de T4 em T3 (o hormônio tireoidiano mais ativo) e um aumento da conversão de T4 em T3 reverso (rT3), que é metabolicamente inativo. Os achados laboratoriais típicos incluem TSH e T4 livre geralmente normais (podendo haver pequenas flutuações), T3 total baixo e T3 reverso elevado. É crucial diferenciar a SED do hipotireoidismo verdadeiro, onde o TSH estaria elevado (primário) ou TSH e T4 livre estariam baixos (central). O tratamento da SED não envolve a reposição de levotiroxina. Estudos não demonstraram benefício e, em alguns casos, a reposição pode ser deletéria, aumentando o catabolismo e a mortalidade. O manejo consiste em tratar a doença de base. O prognóstico da SED está intrinsecamente ligado ao prognóstico da doença subjacente. Para o residente, é fundamental reconhecer este padrão laboratorial para evitar diagnósticos errôneos de hipotireoidismo e tratamentos desnecessários e potencialmente prejudiciais, focando na otimização do tratamento da condição primária do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais típicos da Síndrome do Eutireoideo Doente?

Caracteriza-se por TSH e T4 livre geralmente normais, T3 total baixo e T3 reverso (rT3) elevado. Em casos mais graves, o T4 total também pode estar baixo.

Por que não se deve repor levotiroxina na Síndrome do Eutireoideo Doente?

A SED é uma resposta adaptativa do organismo à doença grave, visando conservar energia. A reposição hormonal não demonstrou benefício e pode até ser prejudicial, aumentando o catabolismo e arritmias.

Como diferenciar a Síndrome do Eutireoideo Doente de hipotireoidismo verdadeiro?

No hipotireoidismo primário, o TSH estaria elevado. No hipotireoidismo central, TSH e T4 livre estariam baixos. Na SED, o TSH e T4 livre são frequentemente normais, com T3 baixo e rT3 alto, e o quadro clínico é dominado pela doença de base.

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