SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Vítima de soterramento, uma mulher de 30 anos chega ao pronto-socorro orientada, eupneica e normal do ponto de vista hemo- dinâmico. A tomografia de corpo inteiro não mostra alterações significativas decorrentes do trauma. Apresentou 200 mL de diu- rese, com urina escura, durante as primeiras 5 horas de observação. Não tem edema de membros superiores nem inferiores e todos os pulsos periféricos estão presentes. Exames laboratoriais na chegada: K+: 6 mEq/L; pH: 7,22; HCO : 16 mmol/L; lactato arterial: 40 mg/dL (normal até 14 mg/dL); hemoglobina: 11,2 g/dL; creatinina: 1,1 mg/dL; CPK: 20.300 U/L. Provável diagnóstico e terapia inicial recomendada:
Soterramento + CPK ↑↑ + K+ ↑ + acidose metabólica + urina escura → Síndrome de esmagamento. Conduta: hidratação vigorosa e correção eletrolítica.
A síndrome de esmagamento é uma condição grave que ocorre após lesão muscular traumática, liberando mioglobina, potássio e outras substâncias. Isso leva a rabdomiólise, insuficiência renal aguda, hipercalemia e acidose metabólica. A hidratação venosa precoce e agressiva é fundamental para prevenir a lesão renal e diluir os eletrólitos.
A síndrome de esmagamento é uma condição potencialmente fatal que ocorre após a liberação de produtos tóxicos da destruição muscular (rabdomiólise) em resposta a um trauma compressivo prolongado, como em vítimas de soterramento. Sua importância clínica é imensa, pois pode levar rapidamente a insuficiência renal aguda, hipercalemia grave e acidose metabólica, com risco de arritmias cardíacas e morte. A fisiopatologia envolve a isquemia muscular prolongada seguida de reperfusão, que causa a lise das células musculares. A liberação de mioglobina, potássio, fosfato e outras substâncias para a circulação sobrecarrega os rins e desequilibra o meio interno. O diagnóstico é clínico (história de trauma compressivo) e laboratorial (CPK muito elevada, hipercalemia, acidose metabólica, mioglobinúria). A creatinina pode estar normal inicialmente, mas tende a subir rapidamente. A terapia inicial é agressiva e focada na prevenção da insuficiência renal e na correção dos distúrbios eletrolíticos. A hidratação venosa vigorosa com soro fisiológico é a pedra angular do tratamento, visando manter um fluxo urinário adequado e diluir os metabólitos tóxicos. O monitoramento contínuo de eletrólitos, função renal e equilíbrio ácido-básico é essencial, e medidas específicas para hipercalemia e acidose devem ser implementadas conforme necessário.
Os achados incluem CPK muito elevada (indicando rabdomiólise), hipercalemia, acidose metabólica (pH baixo, HCO3 baixo, lactato elevado) e, posteriormente, elevação da creatinina devido à lesão renal aguda.
A hidratação venosa vigorosa com solução salina isotônica é a medida mais crucial para prevenir a insuficiência renal aguda, diluindo a mioglobina e promovendo sua excreção. O controle dos distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos também é fundamental.
A urina escura, ou colúria, é um indicativo de mioglobinúria, que ocorre quando a mioglobina liberada da musculatura lesada é filtrada pelos rins. A mioglobina é nefrotóxica e pode causar necrose tubular aguda.
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