UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Recém-nascido, 34 semanas de idade gestacional, nascido de parto cesáreo de urgência por pré-eclâmpsia materna, necessitou de ventilação com pressão positiva na sala de parto. Apresentou sinais de desconforto respiratório com 5 minutos de vida. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável e sua respectiva fisiopatologia:
VPP em prematuro + desconforto súbito → suspeitar de Síndrome de Escape de Ar (Pneumotórax).
A aplicação de pressão positiva em pulmões imaturos ou com líquido fetal pode causar ruptura alveolar, levando ao escape de ar para o interstício, mediastino ou espaço pleural.
A síndrome de escape de ar neonatal é uma complicação crítica frequentemente associada a intervenções respiratórias na sala de parto. A fisiopatologia envolve a ruptura do epitélio alveolar devido a um gradiente de pressão excessivo. O ar escapa para o tecido conjuntivo perivascular e peribronquial (bainha broncoalveolar), podendo progredir para o hilo pulmonar e causar pneumomediastino ou romper a pleura visceral, resultando em pneumotórax. Recém-nascidos prematuros, como o do caso (34 semanas), são particularmente vulneráveis devido à deficiência de surfactante e fragilidade tecidual. O uso de ventilação com pressão positiva (VPP) é o principal fator desencadeante iatrogênico. O diagnóstico precoce é fundamental, muitas vezes realizado por transiluminação torácica em emergências ou radiografia de tórax, e o manejo pode variar desde observação em casos leves até drenagem torácica de urgência em casos de pneumotórax hipertensivo.
A síndrome de escape de ar engloba condições onde o ar alveolar extravasa para localizações anômalas, como o interstício pulmonar (enfisema intersticial), espaço pleural (pneumotórax), mediastino (pneumomediastino) ou pericárdio. No recém-nascido, isso ocorre frequentemente devido à ruptura de alvéolos sob alta pressão ou distensão excessiva, comum durante manobras de reanimação com ventilação com pressão positiva (VPP).
A ventilação com pressão positiva, se não monitorada adequadamente quanto ao volume e pressão, pode causar barotrauma e volutrauma. Em pulmões prematuros, que possuem complacência reduzida e imaturidade estrutural, a pressão necessária para abrir alvéolos colapsados pode exceder o limite de ruptura das paredes alveolares, permitindo que o ar disseque a bainha broncoalveolar.
Diferente da Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) clássica, que costuma ser progressiva, o escape de ar (como o pneumotórax) pode causar uma piora súbita do estado clínico, com assimetria de expansibilidade, desvio de ictus cordis, diminuição unilateral do murmúrio vesicular e queda abrupta da saturação de oxigênio logo após manobras ventilatórias.
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