FPIES em Crianças: Diagnóstico e Manejo Dietético Essencial

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 2 anos de idade, sexo masculino, procura o atendimento em pronto socorro com relato de episódios recorrente de vômitos, apatia, palidez, diarreia evoluindo evoluindo rapidamente para desidratação com acidose metabólica, tendo, em um dos atendimentos, apresentado choque hipovolêmico. O diagnóstico aventado pelo médico assistente foi de Síndrome de Enteropatia induzida por proteína alimentar. Considerando- se estar o diagnóstico correto, a conduta deve abordar:

Alternativas

  1. A) Dosagem de IgE sérica para proteínas alimentares.
  2. B) Realização de Pricktest para diagnóstico de possível alergia à proteína.
  3. C) Orientação familiar quanto à possibilidade do quadro ser desencadeado exclusivamente pela proteína do leite.
  4. D) Eliminar os possíveis antígenos da dieta com base em dados de história alimentar, tais como: soja, leite e derivados, arroz, peixe e frango.
  5. E) Solicitar sempre a endoscopia digestiva alta e colonoscopia para excluir doença celíaca.

Pérola Clínica

FPIES: reação não IgE mediada, manejo = eliminação de antígenos comuns (leite, soja, arroz, peixe, frango) da dieta.

Resumo-Chave

A Síndrome de Enteropatia Induzida por Proteína Alimentar (FPIES) é uma alergia alimentar não IgE mediada, caracterizada por sintomas gastrointestinais graves e recorrentes. O diagnóstico é clínico e o tratamento baseia-se na eliminação dos alimentos desencadeantes, que podem ir além do leite, incluindo soja, arroz, peixe e frango.

Contexto Educacional

A Síndrome de Enteropatia Induzida por Proteína Alimentar (FPIES) é uma forma de alergia alimentar não IgE mediada que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas. Caracteriza-se por reações gastrointestinais tardias e graves, como vômitos profusos, diarreia e letargia, que podem levar a desidratação e choque hipovolêmico. A prevalência exata é desconhecida, mas parece estar aumentando. A fisiopatologia da FPIES envolve uma resposta inflamatória mediada por células T no trato gastrointestinal, resultando em aumento da permeabilidade intestinal e perda de fluidos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de exposição alimentar e nos sintomas característicos, uma vez que testes cutâneos (Pricktest) e dosagem de IgE sérica são geralmente negativos, não sendo úteis para o diagnóstico. O manejo da FPIES consiste na eliminação rigorosa dos alimentos desencadeantes da dieta. Embora leite e soja sejam os mais comuns, é crucial investigar outros potenciais antígenos como arroz, aveia, peixe e frango, conforme a história alimentar. Em casos de reações agudas, o tratamento é de suporte, com hidratação intravenosa e, se necessário, corticosteroides. A maioria das crianças desenvolve tolerância aos alimentos desencadeantes com o tempo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da FPIES em crianças?

A FPIES manifesta-se com vômitos profusos e repetitivos (geralmente 1-4 horas após a ingestão), palidez, letargia, diarreia e, em casos graves, desidratação e choque hipovolêmico, simulando uma sepse.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Enteropatia Induzida por Proteína Alimentar?

O diagnóstico da FPIES é clínico, baseado na história de sintomas gastrointestinais característicos após a ingestão de um alimento específico, e na resolução dos sintomas com a eliminação desse alimento. Testes IgE são negativos.

Quais alimentos são mais comumente associados à FPIES?

Os alimentos mais frequentemente implicados na FPIES são o leite de vaca e a soja. Outros alimentos comuns incluem arroz, aveia, peixe, frango e ovos, sendo importante considerar múltiplos desencadeantes na dieta.

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