Síndrome da Encefalopatia Reversível Posterior (PRES): Diagnóstico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 32 anos, com doença renal crônica secundária ao lúpus eritematoso sistêmico (LES) e hipertensão arterial está em tratamento dialítico três vezes por semana. Apresenta quadro súbito de cefaleia intensa, seguida de um episódio de convulsão tônico-clônica generalizada e amaurose bilateral. Exame físico: PA: 230/140 mmHg. O exame de ressonância nuclear magnética mostrou um edema vasogênico na região parieto-occipital bilateral. Outros exames: hemoglobina 8,4 g%; plaquetas 98.000 mm³; albumina 2,1g%; complemento C3: 52 mg/dL (referência: 88-201 mg/dL); FAN 1/1280; antiDNA positivo. Submetida a tratamento com nitroprussiato de sódio e posteriormente medicação anti-hipertensiva por via oral, voltou a enxergar e não teve mais convulsões. Esse quadro clínico configura

Alternativas

  1. A) vasculite de sistema nervoso central.
  2. B) acidente vascular encefálico hemorrágico.
  3. C) síndrome da encefalopatia reversível posterior (PRES).
  4. D) encefalopatia hipertensiva.
  5. E) síndrome organocerebral associada ao LES.

Pérola Clínica

PRES = Cefaleia, convulsão, amaurose, hipertensão grave, edema vasogênico parieto-occipital e reversibilidade.

Resumo-Chave

A Síndrome da Encefalopatia Reversível Posterior (PRES) é uma condição neuroclínica caracterizada por cefaleia, convulsões, alterações visuais (como amaurose) e estado mental alterado, associada a hipertensão arterial grave e achados de edema vasogênico predominantemente nas regiões parieto-occipitais na ressonância magnética, com reversibilidade dos sintomas após controle da pressão arterial.

Contexto Educacional

A Síndrome da Encefalopatia Reversível Posterior (PRES) é uma condição neuroclínica aguda, caracterizada por uma constelação de sintomas neurológicos e achados radiológicos típicos. Embora o termo 'posterior' se refira à predileção do edema pelas regiões parieto-occipitais, o envolvimento pode ser mais difuso. Sua importância clínica reside na necessidade de reconhecimento rápido para intervenção e prevenção de sequelas permanentes. A PRES é mais comum em pacientes com hipertensão grave, doenças renais, doenças autoimunes (como LES) e uso de certos medicamentos imunossupressores. A fisiopatologia da PRES envolve uma disfunção da autorregulação cerebrovascular, onde um aumento súbito e grave da pressão arterial excede os limites da autorregulação, levando à hiperperfusão cerebral e extravasamento de plasma para o espaço intersticial, resultando em edema vasogênico. O diagnóstico é baseado na tríade de sintomas neurológicos agudos (cefaleia, convulsões, alterações visuais, estado mental alterado), hipertensão arterial e achados característicos na ressonância magnética cerebral, que mostram edema vasogênico predominantemente nas regiões posteriores. O tratamento da PRES é primariamente o controle da causa subjacente, com foco no manejo agressivo da hipertensão arterial. A redução gradual da pressão arterial, geralmente com agentes intravenosos, é fundamental para reverter o edema e os sintomas. O prognóstico é geralmente bom com a intervenção precoce, com a maioria dos pacientes apresentando recuperação completa dos sintomas e das alterações radiológicas. No entanto, atrasos no tratamento podem levar a complicações como infarto cerebral ou hemorragia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da Síndrome da Encefalopatia Reversível Posterior (PRES)?

Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial grave e aguda, doença renal crônica, uso de imunossupressores (ciclosporina, tacrolimus), pré-eclâmpsia/eclâmpsia, doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistêmico e sepse.

Como a ressonância nuclear magnética (RNM) auxilia no diagnóstico de PRES?

A RNM é crucial, mostrando edema vasogênico, predominantemente nas regiões parieto-occipitais, que se manifesta como hiperintensidade nas sequências T2 e FLAIR. A ausência de infarto ou hemorragia extensa e a reversibilidade das lesões são características importantes.

Qual é o tratamento inicial para a Síndrome da Encefalopatia Reversível Posterior (PRES)?

O tratamento inicial foca no controle agressivo da hipertensão arterial, geralmente com anti-hipertensivos intravenosos como nitroprussiato de sódio ou labetalol, para reduzir a pressão arterial de forma gradual e segura, visando a reversão dos sintomas neurológicos.

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