PRES e Eclâmpsia no Puerpério: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 32 anos, no puerpério de 10 dias, apresenta cefaleia intensa de início súbito, acompanhada de crise convulsiva tônico-clônica generalizada. O exame físico revela hipertensão arterial severa (200x120 mmHg) e papiledema bilateral. Qual a principal hipótese diagnóstica e conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Encefalite viral - iniciar aciclovir.
  2. B) Síndrome de encefalopatia posterior reversível - controlar pressão arterial e iniciar anticonvulsivante.
  3. C) Acidente vascular isquêmico - indicar trombólise.
  4. D) Meningite bacteriana - iniciar antibiótico empírico.

Pérola Clínica

Cefaleia súbita + Convulsão + HAS grave no puerpério → PRES/Eclâmpsia → Controle de PA + Anticonvulsivante.

Resumo-Chave

A PRES é uma síndrome clínico-radiológica associada a picos hipertensivos que causam falha na autorregulação cerebral e edema vasogênico, sendo uma manifestação grave do espectro da pré-eclâmpsia/eclâmpsia.

Contexto Educacional

A PRES manifesta-se clinicamente com cefaleia intensa, distúrbios visuais (incluindo cegueira cortical), confusão mental e crises epilépticas. No período pós-parto, a ocorrência de hipertensão severa e convulsões deve sempre levantar a suspeita de eclâmpsia tardia, da qual a PRES é frequentemente o substrato neuroanatômico. O diagnóstico diferencial inclui trombose venosa cerebral, vasculites do SNC e AVC. O papiledema observado no exame físico reforça a presença de hipertensão intracraniana. O reconhecimento precoce é vital, pois, apesar do nome 'reversível', o atraso no tratamento pode levar a danos neurológicos permanentes, hemorragia intracraniana ou morte.

Perguntas Frequentes

O que causa a Síndrome de Encefalopatia Posterior Reversível (PRES)?

A fisiopatologia da PRES envolve a perda da autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral em resposta a um aumento súbito e severo da pressão arterial. Isso leva à hiperperfusão cerebral e quebra da barreira hematoencefálica, resultando em edema vasogênico, predominantemente nas regiões posteriores (lobos occipitais e parietais). No puerpério, está frequentemente associada à pré-eclâmpsia grave, onde a disfunção endotelial sistêmica exacerba o quadro.

Quais os achados típicos na neuroimagem da PRES?

O exame de escolha é a Ressonância Magnética (RM), que demonstra áreas de hipersinal em T2 e FLAIR, compatíveis com edema vasogênico subcortical. Embora o nome sugira 'posterior', o edema pode afetar lobos frontais, tronco encefálico e cerebelo. É crucial diferenciar do edema citotóxico (típico do AVC isquêmico) através das sequências de difusão (DWI/ADC), pois na PRES a difusão costuma ser facilitada ou normal.

Como deve ser o manejo imediato da PRES no puerpério?

O tratamento foca em dois pilares: 1) Controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos parenterais (como labetalol ou hidralazina) para reduzir o edema cerebral, evitando quedas bruscas que possam causar isquemia; 2) Controle e prevenção de crises convulsivas, sendo o Sulfato de Magnésio a droga de escolha no contexto obstétrico/puerperal devido à sua superioridade comprovada sobre outros anticonvulsivantes na eclâmpsia.

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