HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Paciente de 30 anos, masculino, sofreu queda da motocicleta e foi resgatado pelo SAMU. No local, estava consciente, orientado, taquicárdico e hipotenso com deformidade de membro inferior a direita, suspeita para fratura do fêmur. A equipe de resgata aplicou 1000mL de SF 0,9%, o membro foi imobilizado e foi levado ao PS, onde chegou hemodinamicamente estável, em Glasgow 15. Realizada tomografia de crânio e de coluna sem alterações e radiografia de membro inferior que confirmou a fratura de fêmur. Após 48 horas evoluiu com desconforto respiratório e confusão mental acompanhado do surgimento de petéquias em conjuntiva ocular. Foi sedado, entubado e colocado em ventilação assistida. Diante do caso, assinale a alternativa correta com a conduta e hipótese diagnóstica.
Fratura óssea longa + desconforto respiratório + confusão mental + petéquias = suspeitar de Síndrome da Embolia Gordurosa.
A Síndrome da Embolia Gordurosa (SEG) é uma complicação grave de fraturas de ossos longos, como o fêmur. A tríade clássica (desconforto respiratório, alteração neurológica e petéquias) deve levantar forte suspeita, exigindo investigação e suporte.
A Síndrome da Embolia Gordurosa (SEG) é uma complicação potencialmente fatal que ocorre mais comumente após fraturas de ossos longos, como o fêmur e a tíbia, ou após grandes traumas ortopédicos. Embora rara, sua incidência pode chegar a 10% em pacientes com fraturas femorais, e sua mortalidade pode ser significativa se não for reconhecida e tratada precocemente. É uma condição que exige alta suspeição clínica em pacientes traumatizados. A fisiopatologia da SEG envolve a liberação de gotículas de gordura da medula óssea para a circulação sanguínea após o trauma. Essas gotículas podem embolizar os capilares pulmonares, causando hipoxemia e insuficiência respiratória, e também podem atravessar a circulação pulmonar para atingir a circulação sistêmica, afetando o cérebro (levando a alterações neurológicas) e a pele (causando o rash petequial característico). O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de Gurd e Wilson (distúrbio respiratório, cerebral e petéquias). Exames complementares como tomografia de crânio, hemograma e coagulograma auxiliam na exclusão de outros diagnósticos e na avaliação da extensão do dano. O tratamento da SEG é primariamente de suporte, visando manter a oxigenação e a estabilidade hemodinâmica. Isso pode incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica e suporte circulatório. Não há tratamento específico para a SEG, mas a prevenção, através da imobilização precoce das fraturas e manejo cuidadoso do paciente traumatizado, é fundamental. O prognóstico varia, mas a recuperação completa é possível com manejo agressivo. Residentes devem estar atentos a essa complicação em pacientes com fraturas de ossos longos que desenvolvem sintomas respiratórios e neurológicos tardios.
A tríade clássica inclui desconforto respiratório (hipoxemia), alterações neurológicas (confusão, letargia) e rash petequial, especialmente em conjuntivas, axilas e pescoço.
Após a fratura, gotículas de gordura da medula óssea entram na circulação, embolizando os capilares pulmonares e sistêmicos, causando inflamação e disfunção orgânica.
A conduta inicial é suporte respiratório (oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário), monitorização hemodinâmica e investigação diagnóstica para confirmar a SEG e excluir outras causas.
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