SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente de 25 anos foi admitida em emergência cirúrgica vítima de trauma automobilístico e colisão frontal com outro veículo. Após o atendimento inicial, houve estabilização hemodinâmica seguinte à expansão volêmica e drenagem de hemopneumotórax à esquerda. Estava consciente, orientada e com queixas álgicas no corpo todo e em especial no membro inferior esquerdo, presença de equimoses em pescoço, à esquerda, tórax e abdômen em correspondência a área de contato com o cinto de segurança, enfisema subcutâneo em hemitórax esquerdo e fratura de corpo de fêmur à esquerda. A investigação por imagem evidenciou: – Rx de tórax: dreno bem posicionado, boa expansão pulmonar, enfisema subcutâneo. – Rx de coluna cervical, Rx de pelve e ultrassonografia de abdômen sem anormalidades. – Rx da coxa com fratura de diáfise de fêmur esquerdo. – Tomografia computadorizada de crânio – sem anormalidades. Foi internada e evoluía bem, até que após 48 horas de internação, evoluiu com hemiparesia à esquerda. Feita nova TC de crânio, que evidenciou lesão frontotemporo-parietal esquerda compatível com AVC isquêmico. Qual a provável causa?
Fratura de fêmur + disfunção neurológica tardia + hipoxemia → suspeitar de embolia gordurosa.
A embolia gordurosa é uma complicação grave de fraturas de ossos longos, como o fêmur, que pode se manifestar tardiamente (24-72h) com disfunção neurológica (AVC isquêmico), insuficiência respiratória e rash petequial.
A síndrome de embolia gordurosa (SEG) é uma complicação grave, embora rara, que pode ocorrer após traumas com fraturas de ossos longos (como fêmur e tíbia), cirurgias ortopédicas ou outras condições que liberam gotículas de gordura na circulação. A fisiopatologia envolve a liberação mecânica de glóbulos de gordura da medula óssea para a corrente sanguínea, que podem causar obstrução vascular e uma resposta inflamatória sistêmica. A SEG é mais comum em pacientes jovens com fraturas fechadas e múltiplas. Clinicamente, a SEG se manifesta tipicamente entre 24 e 72 horas após o evento traumático. A tríade clássica de Gurd inclui disfunção respiratória (hipoxemia, dispneia), disfunção neurológica (alteração do nível de consciência, déficits focais, convulsões, AVC isquêmico) e rash petequial (especialmente em regiões como axilas, pescoço e conjuntivas). A presença de uma fratura de fêmur, seguida por um AVC isquêmico tardio, como descrito na questão, é altamente sugestiva de embolia gordurosa. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de Gurd e na exclusão de outras causas. Não há tratamento específico, sendo o manejo de suporte crucial, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário, e estabilização hemodinâmica. A prevenção envolve a estabilização precoce das fraturas e o manejo cuidadoso durante a cirurgia. O prognóstico é variável, mas a SEG pode ser fatal em casos graves.
A tríade clássica (de Gurd) inclui disfunção respiratória (hipoxemia, dispneia), disfunção neurológica (confusão, coma, déficits focais como AVC isquêmico) e rash petequial (especialmente em axilas, pescoço e tórax).
Fraturas de ossos longos, como o fêmur, liberam gotículas de gordura da medula óssea para a corrente sanguínea, que podem embolizar para os pulmões e circulação sistêmica, incluindo o cérebro.
A embolia gordurosa se manifesta tipicamente 24-72 horas após o trauma, com a tríade clássica. O TEP (tromboembolismo pulmonar) geralmente ocorre mais tardiamente e a lesão de carótida interna seria uma causa mais imediata de AVC.
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