SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Mulher, 55 anos, Índice de Massa Corporal (IMC) de 32kg/m², hipertensão e diabetes tipo 2, foi submetida a cirurgia de bypass gástrico há cerca de um ano. Procura atendimento relatando que está sentindo tontura, sensação de desfalecimento, suor frio e fraqueza após as alimentações. Relata que, em uma ocasião, precisou ser levada para atendimento na Unidade de Pronto Atendimento, onde foi constatada hipoglicemia. Com base no quadro exposto pela paciente, qual seria a conduta mais adequada?
Dumping tardio (1-3h pós-refeição) → Hipoglicemia reativa por excesso de insulina. Conduta: Dieta fracionada.
A Síndrome de Dumping ocorre pela rápida passagem de carboidratos simples para o intestino delgado, gerando resposta insulínica exagerada e sintomas autonômicos.
A Síndrome de Dumping é uma complicação funcional comum após o Bypass Gástrico em Y de Roux. A fisiopatologia envolve a perda do mecanismo pilórico, permitindo que o conteúdo gástrico atinja o jejuno rapidamente. No Dumping tardio, o pico glicêmico precoce estimula uma liberação massiva de insulina e de incretinas (como o GLP-1), resultando em hipoglicemia sintomática subsequente. O diagnóstico é clínico, podendo ser auxiliado pelo escore de Sigstad ou pelo teste de tolerância à glicose oral. A vasta maioria dos pacientes responde bem ao manejo conservador focado na reeducação alimentar, sendo a intervenção cirúrgica raramente necessária e reservada para casos de desnutrição grave ou sintomas intratáveis.
O Dumping precoce ocorre 10 a 30 minutos após a refeição, devido à rápida distensão do intestino delgado por quimo hiperosmolar, causando desvio de fluido para o lúmen e sintomas como dor abdominal, diarreia e taquicardia. O Dumping tardio ocorre 1 a 3 horas após, sendo caracterizado por hipoglicemia reativa devido à secreção excessiva de insulina em resposta à rápida absorção de glicose.
A base do tratamento é a modificação dietética: realizar refeições pequenas e frequentes (6 a 8 vezes ao dia), evitar a ingestão de líquidos durante as refeições (esperar 30-60 min), e reduzir drasticamente o consumo de carboidratos simples (açúcares refinados), priorizando proteínas e fibras que retardam o esvaziamento gástrico e a absorção de glicose.
O tratamento farmacológico é reservado para casos refratários às mudanças dietéticas. Opções incluem a acarbose (inibe a alfa-glucosidase, retardando a digestão de carboidratos) ou análogos da somatostatina (como o octreotide), que inibem a liberação de insulina e retardam o esvaziamento gástrico. Bloqueadores de canais de cálcio como a nifedipina são opções de segunda linha.
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