FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023
Quanto as síndromes pós gastrectomia é CORRETO afirmar:
Dumping pós-gastrectomia: mais comum em Bilroth II > Bilroth I.
A síndrome de Dumping é uma complicação comum da gastrectomia, ocorrendo devido ao rápido esvaziamento gástrico de alimentos hiperosmolares para o intestino delgado. A reconstrução Bilroth II, que desvia o trânsito alimentar diretamente para o jejuno, tende a ter maior incidência de Dumping em comparação com a Bilroth I, que mantém a continuidade duodenal.
As síndromes pós-gastrectomia representam um conjunto de complicações que podem surgir após a ressecção cirúrgica de parte ou de todo o estômago, sendo a síndrome de Dumping uma das mais frequentes e clinicamente relevantes. Sua compreensão é fundamental para o manejo pós-operatório de pacientes submetidos a cirurgias gástricas, impactando diretamente a qualidade de vida. A fisiopatologia do Dumping envolve o rápido esvaziamento de alimentos hiperosmolares do coto gástrico para o intestino delgado, levando a um influxo de líquido para a luz intestinal (distensão e sintomas gastrointestinais) e liberação de peptídeos vasoativos (sintomas vasomotores). O Dumping precoce é desencadeado pela osmolaridade e volume, enquanto o tardio é por hipoglicemia reativa devido à liberação excessiva de insulina. O tratamento é predominantemente conservador, com modificações dietéticas sendo a primeira linha. Em casos graves e refratários, podem ser consideradas terapias farmacológicas (análogos da somatostatina) ou, raramente, intervenções cirúrgicas. O prognóstico geralmente é bom com o manejo adequado, mas a adesão às mudanças de estilo de vida é crucial.
O Dumping precoce (10-30 min pós-refeição) manifesta-se com plenitude, dor abdominal, náuseas, diarreia, e sintomas vasomotores como taquicardia, sudorese, tontura. O Dumping tardio (1-3h pós-refeição) é caracterizado por sintomas de hipoglicemia, como fraqueza, tremores, sudorese e confusão.
Na Bilroth II, o alimento é desviado diretamente para o jejuno, contornando o duodeno e o piloro, que regulam o esvaziamento gástrico. Isso resulta em um esvaziamento mais rápido e descontrolado de conteúdo hiperosmolar para o intestino delgado, exacerbando os sintomas de Dumping.
O tratamento inicial é dietético, incluindo refeições menores e mais frequentes, evitar líquidos durante as refeições, limitar carboidratos simples, aumentar proteínas e fibras, e deitar-se após as refeições. Em casos refratários, podem ser usadas medidas farmacológicas.
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