CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Jovem de 18 anos, apresenta síndrome de Duane à direita e posição viciosa de cabeça girada para a esquerda. Em posição primária do olhar apresenta exotropia na fixação do OE e que aumenta na fixação do olho direito. Qual é a melhor opção cirúrgica para a paciente?
Duane com exotropia e torcicolo para o lado oposto → Recuo do músculo reto lateral ipsilateral.
Na Síndrome de Duane com exotropia (Tipo II), o objetivo cirúrgico é eliminar a posição viciosa de cabeça e a exotropia em posição primária através do enfraquecimento do reto lateral.
A Síndrome de Duane é classificada classicamente por Huber em três tipos, baseados na limitação do movimento: Tipo I (limitação de abdução), Tipo II (limitação de adução) e Tipo III (limitação de ambos). No caso clínico apresentado, a exotropia e a posição viciosa de cabeça indicam um quadro compatível com o Tipo II ou uma variante exotrópica. O recuo do reto lateral do olho afetado é a conduta de escolha para trazer o olho para uma posição mais centralizada, eliminando a necessidade do giro de cabeça. A decisão cirúrgica deve ser cautelosa, visando tratar apenas pacientes com desvios significativos em posição primária, torcicolo acentuado ou retração severa. É fundamental diferenciar a Síndrome de Duane de paralisias isoladas do VI par, observando sinais como a retração do globo e o estreitamento da fenda palpebral, que são patognomônicos da co-contração muscular anômala presente nesta síndrome.
A posição viciosa de cabeça (torcicolo ocular) é um mecanismo compensatório que o paciente utiliza para manter a binocularidade e evitar a diplopia ou o desvio ocular em posição primária. Na Síndrome de Duane com exotropia (geralmente Tipo II), o olho afetado tende a desviar para fora. Para compensar essa exotropia, o paciente gira a cabeça para o lado oposto ao olho afetado (se o olho direito está em exotropia, a cabeça gira para a esquerda), colocando o olho afetado em adução, onde o alinhamento é melhor e a visão binocular pode ser mantida.
A Síndrome de Duane é uma anomalia congênita da inervação craniana (CIDD). A causa primária é a agenesia ou hipoplasia do núcleo do nervo abducente (VI par) no tronco encefálico. Como resultado, o músculo reto lateral não recebe sua inervação normal. Em vez disso, ele recebe uma inervação anômala de ramos do nervo oculomotor (III par). Isso causa a co-contração dos músculos reto medial e reto lateral durante a tentativa de adução, levando à retração característica do globo ocular e ao estreitamento da fenda palpebral.
A ressecção muscular é geralmente evitada na Síndrome de Duane porque se trata de um estrabismo com forte componente restritivo e inervação anômala. Ressecar um músculo (encurtá-lo) aumentaria a tensão mecânica sobre o globo ocular, exacerbando significativamente o fenômeno de retração e o estreitamento da fenda palpebral durante os movimentos oculares. O tratamento cirúrgico foca quase exclusivamente em procedimentos de recuo (enfraquecimento) para melhorar a posição primária e reduzir o torcicolo, sem piorar a restrição mecânica já existente.
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