Síndrome DRESS: Diagnóstico e Manejo da Reação Grave a Drogas

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 65 anos, com diagnóstico recente de neoplasia de mama com metástase cerebral, está em uso de fenitoína há 21 dias. Há 3 dias, queixa-se de prostração, adinamia e febre (Tax = 38ºC). Exame físico: exantema maculopapular em face e tronco; edema de face; linfonodomegalia cervical e axilar bilateral; ausência de hiperemia conjuntival ou lesões em mucosas. Exames laboratoriais: leucocitose com linfócitos atípicos e eosinofilia; aumento das transaminases; hemocultura negativa. Pode-se afirmar que a melhor opção terapêutica é:

Alternativas

  1. A) trocar a fenitoína por fenobarbital.
  2. B) pulsoterapia com ciclofosfamida venosa.
  3. C) terapia empírica com amoxacilina com clavulanato venoso.
  4. D) suspender a fenitoína e iniciar prednisona oral.

Pérola Clínica

Paciente em uso de fenitoína com febre, exantema, linfonodomegalia, eosinofilia e hepatite → Suspeitar DRESS, suspender droga e iniciar corticoide.

Resumo-Chave

O quadro clínico da paciente é altamente sugestivo de Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms), uma reação de hipersensibilidade grave a medicamentos, frequentemente associada a anticonvulsivantes como a fenitoína. A conduta essencial é a suspensão imediata da droga causadora e o início de corticosteroides sistêmicos para controlar a inflamação e os sintomas sistêmicos.

Contexto Educacional

A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade grave e potencialmente fatal, caracterizada por um período de latência prolongado (2-8 semanas) após o início do medicamento. Os sintomas incluem febre, exantema cutâneo (geralmente maculopapular), linfonodomegalia e envolvimento de órgãos internos, como hepatite, nefrite, pneumonite ou miocardite. Laboratorialmente, é comum encontrar leucocitose com eosinofilia e linfócitos atípicos. A fenitoína é um dos medicamentos classicamente associados à Síndrome DRESS, juntamente com outros anticonvulsivantes, alopurinol e sulfonamidas. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas envolve uma complexa interação entre o metabolismo do fármaco, a ativação de linfócitos T específicos e a reativação de vírus da família herpes (especialmente HHV-6). O diagnóstico é clínico-laboratorial, e a suspeita deve ser alta em pacientes com o quadro descrito e história de uso de drogas implicadas. O tratamento da Síndrome DRESS é emergencial e consiste na suspensão imediata do medicamento causador. A terapia com corticosteroides sistêmicos, como a prednisona oral, é a base do tratamento para controlar a resposta inflamatória e prevenir a progressão do dano orgânico. A dose e duração dependem da gravidade do quadro. O prognóstico pode ser grave, com mortalidade de até 10%, principalmente devido ao envolvimento hepático ou cardíaco. É crucial monitorar de perto a função dos órgãos afetados durante o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais os principais critérios diagnósticos da Síndrome DRESS?

Os critérios incluem exantema cutâneo, febre, linfonodomegalia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, como fígado, rins ou pulmões, após exposição a um fármaco desencadeante, com latência prolongada.

Quais medicamentos são mais frequentemente associados à Síndrome DRESS?

Anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, lamotrigina), alopurinol, sulfonamidas e dapsona são as classes de drogas mais comumente implicadas como causadoras da Síndrome DRESS.

Qual a conduta inicial e o tratamento da Síndrome DRESS?

A conduta inicial é a suspensão imediata da droga suspeita. O tratamento envolve corticosteroides sistêmicos, como prednisona oral, para controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos graves, com monitoramento rigoroso.

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