MedEvo Simulado — Prova 2026
Homem de 52 anos, em tratamento para neuralgia do trigêmeo com carbamazepina há cinco semanas, procura o pronto-atendimento com quadro de febre elevada (39°C), mal-estar e odinofagia leve há 3 dias. Ao exame físico, apresenta exantema maculopapular morbiliforme confluente em face, tronco e membros superiores, associado a edema facial periorbitário e linfonodopatias cervicais e axilares bilaterais de aproximadamente 2 cm, móveis e fibroelásticos. Não há presença de bolhas, o sinal de Nikolsky é negativo e as mucosas oral e genital estão preservadas. Exames laboratoriais revelam leucocitose (13.500/mm³) com eosinofilia absoluta de 1.800/mm³, elevação de transaminases (AST 145 U/L e ALT 190 U/L) e creatinina de 1,4 mg/dL (valor basal de 0,9 mg/dL). A principal hipótese diagnóstica e a classificação da reação de hipersensibilidade envolvida são, respectivamente:
Febre + Exantema + Eosinofilia + Lesão de órgão (fígado/rim) = Síndrome DRESS.
A Síndrome DRESS é uma reação de hipersensibilidade tardia (Tipo IVb) grave, com latência de 2-8 semanas, caracterizada por envolvimento multissistêmico e eosinofilia.
A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma emergência dermatológica. Medicamentos como carbamazepina, alopurinol e anticonvulsivantes são gatilhos comuns. O quadro clínico evolui com febre alta e exantema que pode progredir para eritrodermia. O tratamento baseia-se na interrupção imediata da droga suspeita e uso de corticosteroides sistêmicos para controlar a inflamação e prevenir falência orgânica.
A hipersensibilidade tipo IVb é uma reação mediada por células T (Th2) que resulta na ativação de eosinófilos através da liberação de citocinas como IL-4, IL-5 e IL-13. No DRESS, ocorre uma expansão clonal de células T específicas para a droga, frequentemente associada à reativação de herpesvírus (como HHV-6), levando à inflamação sistêmica e danos em órgãos-alvo como fígado e rins.
Os critérios (RegiSCAR) incluem: início agudo de exantema cutâneo, febre > 38°C, linfonodopatia em pelo menos duas cadeias, envolvimento de pelo menos um órgão interno (hepatite é o mais comum) e anormalidades hematológicas como eosinofilia (>1.500/mm³) ou presença de linfócitos atípicos. O período de latência prolongado (2 a 8 semanas após início da droga) é uma pista diagnóstica crucial.
Diferente da Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), o DRESS raramente apresenta acometimento de mucosas ou sinal de Nikolsky positivo. O edema facial é muito característico do DRESS. Em comparação com o exantema maculopapular simples, o DRESS apresenta sinais de toxicidade sistêmica (febre, alteração de transaminases e creatinina) e a eosinofilia absoluta.
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