Síndrome DRESS: Diagnóstico e Manejo Urgente

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 63 anos iniciou quadro de exantema (vide imagem) há 18 dias, edema de face, febre entre 38-39,5 °C, linfadenopatia inguinal e sinal de Nikolsky negativo. AP: etilista, cirrose hepática alcoólica, varizes esofágicas, epilepsia pós-traumática e peritonite bacteriana espontânea tratada. Medicações em uso há 35 dias: fenitoína, norfloxacino, propranolol, ornitina, tiamina, omeprazol, lactulose e ácido fólico. Aos exames laboratoriais: Hb 14,5 g/dL, Ht 44,3%, leucócitos 8 100/mm³, eosinófilos 1 500/mm³, TGO 122 U/L, TGP 48 U/L, PCR 7,10 mg/dL.O diagnóstico e a conduta inicial são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) síndrome DRESS; suspender fenitoína e norfloxacino e introduzir corticoterapia sistêmica.
  2. B) quadro cutâneo de origem infecciosa bacteriana; escalonar antibioticoterapia sistêmica.
  3. C) necrólise epidérmica tóxica; suspender todas as medicações em uso, exceto da fenitoína.
  4. D) síndrome de Steven-Johnson; alterar antibioticoterapia e prescrever corticoterapia sistêmica.

Pérola Clínica

DRESS: exantema, febre, linfadenopatia, eosinofilia, hepatite (fenitoína) → suspender droga e corticoide sistêmico.

Resumo-Chave

A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação adversa grave a medicamentos, caracterizada por exantema cutâneo, febre, linfadenopatia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos (como hepatite). A fenitoína é um dos principais fármacos associados. O diagnóstico exige alta suspeição e a conduta inicial é a suspensão imediata do medicamento causador e o início de corticoterapia sistêmica.

Contexto Educacional

A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade grave e potencialmente fatal a medicamentos, caracterizada por uma tríade de exantema cutâneo, febre e envolvimento de órgãos internos, frequentemente acompanhada por eosinofilia e linfadenopatia. Sua latência prolongada (geralmente 2 a 8 semanas após o início do medicamento) pode dificultar o diagnóstico, exigindo um alto índice de suspeição clínica, especialmente em pacientes polimedicados ou com histórico de uso de fármacos conhecidos por desencadear a síndrome, como a fenitoína. O quadro clínico típico inclui um exantema maculopapular difuso, que pode evoluir para eritrodermia, edema facial, febre alta, linfadenopatia generalizada e, crucialmente, disfunção de órgãos como fígado (hepatite), rins (nefrite intersticial), pulmões (pneumonite) e coração (miocardite). A eosinofilia periférica é um achado laboratorial comum e importante. O sinal de Nikolsky negativo ajuda a diferenciá-la de outras reações cutâneas graves como a Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (TEN), que cursam com descolamento epidérmico. O manejo da Síndrome DRESS é uma emergência médica. A primeira e mais crítica medida é a identificação e suspensão imediata de todos os medicamentos suspeitos. A corticoterapia sistêmica, geralmente com prednisona ou metilprednisolona, é a base do tratamento para controlar a inflamação e o envolvimento de órgãos. O prognóstico é variável e depende da gravidade do envolvimento orgânico e da rapidez do diagnóstico e tratamento. Para o residente, reconhecer os sinais e sintomas da DRESS e agir prontamente é vital para evitar complicações graves e reduzir a mortalidade associada a essa condição.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome DRESS?

Os critérios diagnósticos para DRESS incluem exantema cutâneo, febre (>38°C), linfadenopatia, eosinofilia (>1.500/mm³ ou >10% dos leucócitos) e envolvimento de pelo menos um órgão interno (fígado, rim, pulmão, coração). A história de uso de medicamentos suspeitos é fundamental.

Quais medicamentos são mais frequentemente associados à Síndrome DRESS?

Os medicamentos mais frequentemente associados à Síndrome DRESS incluem anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, lamotrigina), alopurinol, sulfonamidas, dapsona e alguns antibióticos (como vancomicina e minociclina). O período de latência pode ser de 2 a 8 semanas após o início do fármaco.

Qual a conduta inicial no manejo da Síndrome DRESS?

A conduta inicial e mais importante é a suspensão imediata de todos os medicamentos suspeitos. Em casos graves ou com envolvimento de órgãos internos, a corticoterapia sistêmica (prednisona oral ou metilprednisolona IV) é a principal terapia, com monitoramento rigoroso da função dos órgãos afetados.

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