Síndrome de DRESS: Diagnóstico e Manejo da Reação Grave

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher jovem ingressou no pronto‑socorro com febre, mal‑estar e erupção cutânea morbiliforme no tronco e nos membros superiores e inferiores. Há aproximadamente três semanas, ele havia iniciado uso de fenitoína 100 mg de 8/8h, para tratamento de epilepsia primária. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Devem‑se solicitar hemograma e marcadores de lesão hepática, na presença de linfocitose atípica, eosinofilia e elevação de transaminases, e tem‑se o diagnóstico de síndrome de Dress.
  2. B) O quadro sugere exantema secundário à fenitoína. Não são necessários exames adicionais para a realização do diagnóstico e da definição da conduta, já que o diagnóstico de farmacodermia é clínico.
  3. C) Pelo quadro febril e sistêmico, entram nos diagnósticos diferenciais Stevens‑Johson e necrólise epidérmica tóxica, que se diferem pelo nível de acometimento da superfície corpórea, uma vez que a síndrome de Stevens‑Johnson representa a manifestação mais grave, com acometimento cutâneo maior que 30%.
  4. D) Há indicação de corticoterapia e adrenalina intramuscular para essa paciente.
  5. E) O quadro é sugestivo de erisipela.

Pérola Clínica

DRESS: febre, exantema morbiliforme, eosinofilia, linfocitose atípica, disfunção orgânica (hepática) após 2-8 semanas de droga.

Resumo-Chave

A Síndrome de DRESS é uma reação de hipersensibilidade grave e tardia a medicamentos, geralmente anticonvulsivantes ou alopurinol, que se manifesta com febre, exantema, linfadenopatia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, como o fígado. A suspeita clínica exige investigação laboratorial para confirmar o diagnóstico e iniciar o manejo.

Contexto Educacional

A Síndrome de DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade grave e potencialmente fatal, com uma incidência estimada de 1 em 1.000 a 1 em 10.000 exposições a medicamentos. É crucial para residentes reconhecerem essa condição devido à sua alta morbimortalidade e à necessidade de intervenção precoce. O conhecimento dos medicamentos desencadeantes e das manifestações clínicas é fundamental para a prática médica. A fisiopatologia da DRESS envolve uma reativação viral (especialmente HHV-6) e uma resposta imune mediada por células T contra o medicamento ou seus metabólitos. O diagnóstico é clínico e laboratorial, caracterizado por febre, exantema cutâneo (geralmente morbiliforme), linfadenopatia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, como hepatite, nefrite intersticial ou pneumonite. A suspeita deve surgir quando há um quadro sistêmico após semanas do início de um novo medicamento, especialmente anticonvulsivantes. O tratamento da DRESS envolve a suspensão imediata do medicamento causador e o suporte sintomático. Em casos graves com envolvimento orgânico significativo, a corticoterapia sistêmica (prednisona) é frequentemente indicada. O prognóstico varia, mas a mortalidade pode chegar a 10%, principalmente devido à falência hepática ou miocardite. É essencial monitorar a função dos órgãos e ajustar o tratamento conforme a evolução do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Síndrome de DRESS?

A Síndrome de DRESS se manifesta com febre, exantema morbiliforme, linfadenopatia, eosinofilia, linfocitose atípica e envolvimento de órgãos internos, como fígado, rins ou pulmões, geralmente 2 a 8 semanas após o início do medicamento.

Quais exames laboratoriais são importantes para o diagnóstico de DRESS?

Hemograma completo para avaliar eosinofilia e linfocitose atípica, e marcadores de lesão hepática (transaminases, bilirrubinas) são cruciais para confirmar o envolvimento sistêmico.

Quais medicamentos são mais frequentemente associados à Síndrome de DRESS?

Anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, lamotrigina), alopurinol, sulfonamidas e dapsona são os principais medicamentos implicados no desenvolvimento da Síndrome de DRESS.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo