UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Homem, 42a, retorna à Unidade Básica de Saúde com queixa de exantema acometendo face, tronco e membros superiores há duas semanas, com o surgimento de edema facial há três dias. Há dois meses, foram introduzidas as seguintes medicações: anlodipino 5mg/dia; sinvastatina 20mg/dia e alopurinol 300mg/dia. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial há quatro anos, em uso prévio de atenolol 50mg/dia; síndrome metabólica; cefaleia tensional, com uso frequente de dipirona. Exame físico: T=38,3ºC; presença de linfonodos palpáveis, discretamente aumentados e móveis em cadeia cervical e axilar; hepatomegalia dolorosa a 5cm do rebordo costal direito. A MEDICAÇÃO COM MAIOR PROBABILIDADE DE ASSOCIAÇÃO COM ESTE QUADRO CLÍNICO É:
Exantema + febre + linfadenopatia + hepatomegalia + eosinofilia (se disponível) + uso de alopurinol → suspeitar de Síndrome DRESS.
O quadro clínico de exantema, febre, linfadenopatia e hepatomegalia, com início tardio após a introdução de uma nova medicação, é altamente sugestivo da Síndrome DRESS. O alopurinol é um dos fármacos mais frequentemente associados a esta grave reação de hipersensibilidade.
A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade medicamentosa grave e potencialmente fatal, caracterizada por um período de latência prolongado (geralmente 2 a 8 semanas) após a introdução do fármaco. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecida e tratada. A incidência varia, mas é estimada em 1 em 1.000 a 1 em 10.000 exposições a medicamentos de alto risco. A fisiopatologia da DRESS é complexa, envolvendo uma reativação viral (especialmente herpesvírus) e uma resposta imune mediada por células T. O quadro clínico típico inclui exantema cutâneo extenso (maculopapular, eritrodérmico ou esfoliativo), febre alta, linfadenopatia e envolvimento de órgãos internos, sendo o fígado o mais comum (hepatite), mas também podendo afetar rins, pulmões, coração e pâncreas. Anormalidades hematológicas como eosinofilia e linfocitose atípica são frequentes. O diagnóstico é clínico, com suporte laboratorial. O tratamento primordial é a suspensão imediata do medicamento causador. Corticosteroides sistêmicos são a terapia de primeira linha para controlar a inflamação e o dano orgânico, com a dose e duração ajustadas à gravidade do quadro. O prognóstico é variável, com mortalidade de até 10%, e a recuperação pode ser prolongada, com risco de sequelas autoimunes.
Os critérios incluem exantema cutâneo, febre, linfadenopatia, envolvimento de órgãos internos (como fígado, rins, pulmões) e eosinofilia ou linfocitose atípica, com início tardio após a exposição ao fármaco.
Os medicamentos mais comumente associados incluem anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, lamotrigina), alopurinol, sulfonamidas, dapsona e alguns antibióticos.
A conduta inicial é a suspensão imediata do medicamento suspeito. O tratamento geralmente envolve corticosteroides sistêmicos para controlar a inflamação e o envolvimento orgânico, além de suporte sintomático.
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