Síndrome DRESS: Diagnóstico e Manifestações Sistêmicas

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Um centro de terapia intensiva admite um paciente do sexo masculino, 45 anos de idade, portador de um Linfoma de Hodgkin em uso de losartana, anlodipino, sinvastatina, alopurinol e AAS. Ao exame: paciente febril, portador de linfadenomegalias cervicais e axilares, mantendo estabilidade hemodinâmica. Nos exames admissionais: Hb = 12,5; GL = 19.000; n = 4.000; Lf = 5.000; E = 5.000; Mono = 4.000; Plaqueta = 320.000; TGO = 340; TGP = 245; FA = 450; GGT = 210; EAS = proteína+*; Cr = 1,9; Ureia: 96. Apresentava, ao exame físico, as seguintes alterações: Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Herpes vírus.
  2. B) DRESS.
  3. C) Necrose epidérmica tóxica.
  4. D) Síndrome de Steven Johnson.

Pérola Clínica

Febre + Eosinofilia + Linfadenopatia + Lesão Orgânica (Fígado/Rim) → Pensar em DRESS.

Resumo-Chave

A DRESS é uma reação de hipersensibilidade tardia (2-8 semanas após início da droga) grave, com alta mortalidade, exigindo suspensão imediata do fármaco suspeito.

Contexto Educacional

A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade do tipo IVb, mediada por células T. Diferente de outras reações alérgicas, ela possui um período de latência prolongado e pode cursar com reativação de herpesvírus (HHV-6, CMV, EBV), o que contribui para a gravidade e persistência dos sintomas. O envolvimento hepático é a manifestação visceral mais comum e a principal causa de óbito. No caso clínico apresentado, o paciente em uso de alopurinol (droga clássica) apresenta febre, linfadenopatia, leucocitose com eosinofilia importante (5.000), além de alteração de transaminases e função renal, fechando o diagnóstico sindrômico de DRESS. O manejo exige suporte em unidade de terapia intensiva dependendo da gravidade da disfunção orgânica.

Perguntas Frequentes

Quais são as drogas mais comumente associadas à DRESS?

As drogas mais frequentemente implicadas na Síndrome DRESS incluem o alopurinol, anticonvulsivantes (como carbamazepina, fenitoína e fenobarbital), sulfonamidas, vancomicina e minociclina. O quadro clínico geralmente se manifesta entre 2 a 8 semanas após o início do tratamento, o que diferencia esta reação de outras farmacodermias mais agudas, como a Síndrome de Stevens-Johnson.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome DRESS?

O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado em critérios como: erupção cutânea aguda, febre (>38°C), linfadenopatia em pelo menos duas cadeias, envolvimento de pelo menos um órgão interno (frequentemente hepatite com aumento de transaminases) e alterações hematológicas, sendo a eosinofilia (>700/µL) e a presença de linfócitos atípicos os achados mais característicos.

Qual o tratamento padrão para a Síndrome DRESS?

A medida mais importante é a interrupção imediata da droga suspeita. Para casos moderados a graves com envolvimento visceral, o tratamento de escolha são os corticosteroides sistêmicos (como a prednisona 0,5 a 1 mg/kg/dia), com desmame lento ao longo de meses para evitar recidivas, que são comuns nesta síndrome.

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