HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 64 anos, queixa-se de erupções cutâneas, febre e mal-estar há 4 dias. Iniciou alopurinol para a gota há seis semanas, e não toma nenhum outro medicamento. Nega alergias a medicamentos ou alimentos e nega viagens recentes. Seus sinais vitais são PA: 145x88 mmHg, FC: 80 bpm, FR: 15 irpm SatO2 98%, Temp 38.3 °C. No exame físico, o paciente apresenta erupção cutânea morbiliforme, eritematosa, confluente na face, tronco e extremidades que envolve mais de 50% da área da superfície corporal. O sinal de Nikolsky é negativo e não há envolvimento de mucosas. Além da erupção cutânea, o paciente apresenta linfadenopatias. Exames laboratoriais demonstram eosinofilia e aumento de transaminases hepáticas. Assinale a alternativa que melhor descreve o diagnóstico e planejamento terapêutico imediato.
DRESS = erupção cutânea + febre + eosinofilia + envolvimento orgânico (hepático, linfonodal) + latência > 2 semanas pós-droga.
A síndrome DRESS é uma reação de hipersensibilidade grave e tardia a medicamentos, caracterizada por erupção cutânea, febre, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, como fígado e linfonodos. A latência entre o início do medicamento e os sintomas é tipicamente de 2 a 8 semanas, o que se encaixa no caso do alopurinol iniciado há seis semanas. O tratamento imediato envolve a suspensão do agente causal.
A Síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade medicamentosa grave, potencialmente fatal, com uma incidência estimada de 1 em 1.000 a 1 em 10.000 exposições a medicamentos. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecerem essa condição devido à sua morbimortalidade significativa e à necessidade de intervenção rápida. A fisiopatologia da DRESS envolve uma complexa interação entre o medicamento, o sistema imunológico do paciente e a reativação de vírus herpes (como HHV-6). O diagnóstico é clínico, baseado na presença de erupção cutânea (geralmente morbiliforme), febre, linfadenopatia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos (hepatite, nefrite, pneumonite, miocardite). A latência entre o início do medicamento e o aparecimento dos sintomas é tipicamente de 2 a 8 semanas, o que ajuda a diferenciá-la de outras reações agudas. O tratamento da Síndrome DRESS consiste primariamente na identificação e suspensão imediata do medicamento causador. O suporte sintomático é fundamental, e corticosteroides sistêmicos são frequentemente utilizados em casos de envolvimento orgânico grave. O prognóstico é variável, com uma taxa de mortalidade que pode chegar a 10%, sendo o envolvimento hepático uma das principais causas de óbito. O acompanhamento a longo prazo é importante devido ao risco de sequelas autoimunes.
A Síndrome DRESS é diagnosticada pela tríade de erupção cutânea, febre e eosinofilia, acompanhada de envolvimento de órgãos internos como fígado, rins ou linfonodos, e uma latência de 2 a 8 semanas após o início do medicamento.
A conduta inicial e mais crítica é a suspensão imediata do medicamento suspeito, que no caso é o alopurinol. O suporte sintomático e, em casos graves, corticosteroides sistêmicos podem ser necessários.
DRESS geralmente apresenta Nikolsky negativo, menor envolvimento mucoso, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, com latência mais longa. SJS/NET são caracterizadas por necrose epidérmica extensa, Nikolsky positivo e envolvimento mucoso proeminente.
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