UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015
Verônica, 23 anos, mulher, internada na unidade de terapia intensiva para tratamento de hematoma subdural agudo secundário a trauma. Apresentou crise convulsiva e rebaixamento do nível de consciência sendo submetida à terapia com anticonvulsivantes e drenagem cirúrgica do hematoma. No décimo sexto dia de internação, iniciou com febre alta, padrão contínuo e erupções maculopapulares, eritematosas, algumas confluentes, pruriginosas, simétricas, distribuídas por face, tronco e membros superiores. Após 48 horas, observou-se disseminação das lesões para as extremidades inferiores, algumas delas com aspecto purpúrico, surgimento de edema palpebral simétrico e posteriormente facial. Passou a apresentar artralgia difusa de articulações apendiculares, linfadenopatia simétrica e generalizada com linfonodos pequenos, de formato ovóide, superfície lisa, consistência fibroelástica, móveis e discretamente dolorosos. Apresentava também discreta hepatomegalia dolorosa à palpação. Os exames complementares evidenciaram leucocitose com neutrofilia, eosinofilia, discreto aumento da creatinina sérica, sedimento urinário com leucocitúria e eosinofilúria, além de aumento significativo de enzimas canaliculares hepáticas com discreto aumento de transaminases, O único fármaco em utilização naquele momento era a fenitoína. Assinale a alternativa CORRETA quanto ao diagnóstico:
Febre, exantema tardio, eosinofilia, linfadenopatia e acometimento orgânico (fígado/rim) após fenitoína → DRESS.
O quadro clínico da paciente, com febre alta, exantema maculopapular disseminado e pruriginoso, edema facial, linfadenopatia generalizada, artralgia, eosinofilia e acometimento multissistêmico (hepático e renal), que se desenvolve tardiamente (16º dia) após o início de um anticonvulsivante (fenitoína), é altamente sugestivo da Síndrome de Hipersensibilidade a Drogas com Eosinofilia e Sintomas Sistêmicos (DRESS).
A Síndrome de Hipersensibilidade a Drogas com Eosinofilia e Sintomas Sistêmicos (DRESS) é uma reação adversa grave e potencialmente fatal a medicamentos, que exige reconhecimento rápido e manejo adequado. Para residentes, é crucial estar ciente dessa condição, especialmente em pacientes polimedicados ou que iniciaram novos fármacos, pois seu diagnóstico precoce pode salvar vidas. A questão ilustra um caso clínico clássico que testa o conhecimento sobre reações cutâneas graves a medicamentos. A DRESS é caracterizada por uma tríade de sintomas: febre, exantema cutâneo e envolvimento de órgãos internos, frequentemente acompanhada por eosinofilia e linfadenopatia. Diferente de outras reações cutâneas, a DRESS tem um período de latência mais longo, geralmente de 2 a 8 semanas após o início do medicamento. A fenitoína, um anticonvulsivante, é um dos fármacos mais frequentemente implicados, juntamente com carbamazepina, lamotrigina, alopurinol e sulfonamidas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a presença de eosinofilia, leucocitose e evidências de disfunção orgânica (hepatite, nefrite intersticial, pneumonite, miocardite). O tratamento envolve a suspensão imediata do medicamento causador e, em casos graves, o uso de corticosteroides sistêmicos. O prognóstico pode ser grave, com mortalidade de até 10%, principalmente devido à falência hepática ou miocardite. A vigilância para o desenvolvimento de DRESS é essencial em pacientes que iniciam medicamentos de alto risco, e a educação do paciente sobre os sinais de alerta é fundamental.
Os critérios incluem febre, exantema cutâneo, linfadenopatia, eosinofilia e envolvimento de pelo menos um órgão interno (fígado, rim, pulmão, coração, etc.). O início é geralmente tardio, 2-8 semanas após o início do medicamento.
Os medicamentos mais comumente associados incluem anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, lamotrigina), alopurinol, sulfonamidas, dapsona e alguns antibióticos.
DRESS geralmente apresenta início mais tardio, febre proeminente, eosinofilia e acometimento de órgãos internos. A Síndrome de Stevens-Johnson é caracterizada por lesões mucosas graves e descolamento epidérmico, com eosinofilia menos comum e acometimento orgânico menos disseminado.
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