Síndrome DRESS: Diagnóstico, Sinais e Manejo

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente jovem, foi internado no centro de terapia intensiva para tratamento de osteomielite após um trauma. Evoluiu com sepse sendo iniciada vancomicina, com melhora clínica. Na segunda após uso da medicação, já em enfermaria, evoluiu com retorno da febre, linfadenomegalia, erupção cutânea, e o seguinte laboratório: TGO:120 e TGP: 250 e hemograma mostrando Leucócitos 15.300 bastões: 5 segmentados: 40 eosinófilos: 14 linfócitos 55 Bilirrubinas Totais: 4.0 bilirrubina direta: 3.6. Qual a principal hipótese diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Síndrome DRESS (Drug Rash with Eosinophilia and Systemic Symptoms)
  2. B) Necrólise epidérmica tóxica
  3. C) Hepatite medicamentosa
  4. D) Síndrome de Stevens-Johnson
  5. E) Eritema multiforme

Pérola Clínica

DRESS = Febre + rash + eosinofilia + linfadenomegalia + disfunção orgânica (ex: hepática) pós-droga.

Resumo-Chave

A Síndrome DRESS é uma reação de hipersensibilidade grave e multissistêmica a medicamentos, caracterizada por febre, rash cutâneo, linfadenomegalia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, como o fígado. A vancomicina é um dos medicamentos frequentemente associados a essa síndrome, e o quadro clínico se encaixa perfeitamente.

Contexto Educacional

A Síndrome DRESS (Drug Rash with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação adversa grave a medicamentos, com potencial risco de vida, que se manifesta como uma hipersensibilidade tardia. Sua importância clínica reside na necessidade de reconhecimento precoce e interrupção do agente causador para evitar morbidade e mortalidade significativas. É crucial para o residente diferenciar DRESS de outras reações cutâneas e condições infecciosas. A fisiopatologia da DRESS é complexa, envolvendo a reativação de vírus herpes (especialmente HHV-6), disfunção imune e uma resposta inflamatória sistêmica. Clinicamente, caracteriza-se por febre, erupção cutânea maculopapular ou eritrodérmica, linfadenomegalia, eosinofilia e envolvimento de órgãos internos, como fígado (hepatite), rins (nefrite intersticial), pulmões (pneumonite) e coração (miocardite). O período de latência entre a exposição ao fármaco e o início dos sintomas pode ser de 2 a 8 semanas. O manejo principal consiste na suspensão imediata do medicamento suspeito. O tratamento de suporte é essencial, e corticosteroides sistêmicos são frequentemente utilizados para controlar a inflamação e o comprometimento orgânico grave. O prognóstico varia, mas a mortalidade pode chegar a 10%, principalmente devido à falência de múltiplos órgãos. O acompanhamento a longo prazo é importante devido ao risco de sequelas autoimunes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Síndrome DRESS?

Os critérios para DRESS incluem febre, erupção cutânea (rash), linfadenomegalia, eosinofilia (geralmente >1500/mm³ ou >10% dos leucócitos) e envolvimento de órgãos internos, como hepatite, nefrite ou pneumonite.

Quais medicamentos são mais comumente associados à Síndrome DRESS?

Diversos medicamentos podem causar DRESS, sendo os mais comuns anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, lamotrigina), alopurinol, sulfonamidas, dapsona e, mais recentemente, antibióticos como a vancomicina e minociclina.

Qual a conduta inicial ao suspeitar de Síndrome DRESS?

A conduta inicial é a imediata suspensão do medicamento suspeito. O tratamento de suporte é fundamental, e corticosteroides sistêmicos podem ser necessários para controlar a inflamação e o envolvimento orgânico.

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