Síndrome de Down por Translocação: Aconselhamento Genético

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 6 meses com suspeita de síndrome de Down (SD) comparece à consulta com seus pais. Cariótipo: 46,XY t(14,21)(14q;21q), como na imagem.Para a orientação de seus pais, é importante

Alternativas

  1. A) realizar o cariótipo dos pais, pois trata-se de translocação Robertsoniana, a qual pode haver herança de um dos pais, evidenciando risco de recorrência da SD em outros filhos, maior do que na população em geral.
  2. B) realizar o cariótipo dos pais, pois trata-se de translocação Robertsoniana, sempre decorrente de herança de um dos pais, evidenciando risco de recorrência da SD em outros filhos, de 50% a 100%.
  3. C) esclarecer a eles de que não se trata da trissomia livre do cromossomo 21, mas sim de “mosaicismo”, com expressão da SD mais leve.
  4. D) realizar novo cariótipo da criança, pois este não se configura com nenhuma das situações nas quais pode ocorrer a SD.

Pérola Clínica

Cariótipo t(14,21) em SD → Translocação Robertsoniana → realizar cariótipo dos pais para risco de recorrência.

Resumo-Chave

O cariótipo 46,XY t(14,21)(14q;21q) indica uma translocação Robertsoniana, que é a causa de cerca de 3-4% dos casos de Síndrome de Down. Diferente da trissomia livre (95% dos casos), a translocação pode ser herdada de um dos pais portador, o que aumenta significativamente o risco de recorrência em futuras gestações. Portanto, o cariótipo dos pais é essencial para o aconselhamento genético.

Contexto Educacional

A Síndrome de Down (SD) é a anomalia cromossômica mais comum, caracterizada pela presença de material genético extra do cromossomo 21. Embora a maioria dos casos (cerca de 95%) seja devido à trissomia livre do cromossomo 21, uma parcela significativa (3-4%) ocorre devido a translocações cromossômicas, sendo a translocação Robertsoniana t(14;21) a mais frequente entre elas. No caso de uma translocação Robertsoniana, como 46,XY t(14,21)(14q;21q), um cromossomo 21 extra está ligado a outro cromossomo (neste caso, o 14). Esta forma de SD é clinicamente indistinguível da trissomia livre, mas tem implicações genéticas e de aconselhamento familiar muito diferentes. A principal distinção é que a translocação pode ser herdada de um dos pais que é portador de uma translocação balanceada, ou seja, possui 45 cromossomos, sendo um deles o cromossomo 14 e 21 fundidos, sem perda ou ganho de material genético, e é fenotipicamente normal. Para a orientação dos pais, é imperativo realizar o cariótipo de ambos. A identificação de um pai portador de translocação balanceada é crucial para o aconselhamento genético, pois o risco de recorrência da SD em futuras gestações é significativamente maior do que na população geral, variando conforme o sexo do pai portador e o tipo de translocação. Este conhecimento permite que a família tome decisões informadas sobre planejamento familiar e opções reprodutivas.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre Síndrome de Down por trissomia livre e por translocação?

A trissomia livre do cromossomo 21 (47,XX ou XY,+21) é a forma mais comum (95% dos casos) e geralmente ocorre por não disjunção meiótica, sendo esporádica. A translocação (cerca de 3-4% dos casos), como a Robertsoniana t(14;21), ocorre quando um cromossomo 21 extra se liga a outro cromossomo (geralmente 14 ou 13), podendo ser herdada de um dos pais portadores de uma translocação balanceada.

Por que é importante realizar o cariótipo dos pais em casos de Síndrome de Down por translocação?

É crucial para identificar se um dos pais é portador de uma translocação balanceada. Um pai portador, embora fenotipicamente normal, tem um risco aumentado de ter outros filhos com Síndrome de Down ou abortos de repetição, e o aconselhamento genético deve ser baseado nesse achado.

Qual o risco de recorrência da Síndrome de Down em casos de translocação Robertsoniana?

O risco de recorrência varia. Se um dos pais for portador de uma translocação t(14;21) balanceada, o risco de ter outro filho com Síndrome de Down é de aproximadamente 10-15% para a mãe e 2-5% para o pai. Se a translocação for de novo (não herdada), o risco de recorrência é baixo, similar ao da trissomia livre.

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