Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Você recebe em seu consultório, acompanhado pelos pais, recém-nascido com sete dias de vida, encaminhado para sua primeira consulta de puericultura. Mãe refere que paciente foi diagnosticado, durante o pré-natal, portador da Síndrome de Down (SD) por translocação. Os pais foram avaliados e a mesma translocação foi encontrada no cariótipo materno. Os pais trazem diversas dúvidas sobre os resultados dos cariótipos. A respeito desse achado, você pode corretamente afirmar:
SD por translocação com mãe portadora → investigar familiares maternos. Risco de recorrência é variável, não 100% nem 0%.
Quando a Síndrome de Down é causada por translocação e a mãe é portadora da mesma translocação balanceada, é crucial investigar outros familiares da linhagem materna, pois eles também podem ser portadores e ter risco de gerar filhos com SD. A trissomia do cromossomo 21 livre é a forma mais comum de SD, não a translocação.
A Síndrome de Down (SD) é a anomalia cromossômica mais comum, caracterizada pela presença de material genético extra do cromossomo 21. Embora a maioria dos casos (cerca de 95%) seja devido à trissomia livre do cromossomo 21, resultante de uma não disjunção meiótica, uma parcela menor (3-4%) é causada por translocações cromossômicas. A forma por translocação é clinicamente indistinguível da trissomia livre, mas possui implicações genéticas e de aconselhamento familiar muito distintas. No caso apresentado, o diagnóstico pré-natal de SD por translocação e a identificação da mesma translocação no cariótipo materno indicam que a mãe é uma portadora de translocação balanceada. Isso significa que ela possui o material genético correto, mas rearranjado, sem perda ou ganho significativo, e por isso é fenotipicamente normal. No entanto, durante a gametogênese, ela pode produzir gametas desbalanceados, resultando em descendentes com SD ou abortos espontâneos. A descoberta de uma translocação balanceada na mãe torna imperativa a investigação de outros membros da linhagem materna, como avós, tios e irmãos. Eles também podem ser portadores da mesma translocação balanceada e, consequentemente, ter um risco aumentado de ter filhos com SD. O aconselhamento genético é fundamental para informar a família sobre os riscos de recorrência, as opções reprodutivas e o planejamento familiar, incluindo a possibilidade de diagnóstico pré-implantacional ou pré-natal em futuras gestações.
A trissomia livre do cromossomo 21, que representa cerca de 95% dos casos, ocorre por não disjunção meiótica e não é hereditária. A SD por translocação, responsável por 3-4% dos casos, envolve a fusão de um cromossomo 21 extra a outro cromossomo (geralmente 13, 14, 15 ou 22), e pode ser herdada de um dos pais que é portador de uma translocação balanceada.
Se a mãe é portadora de uma translocação balanceada, ela pode ter herdado essa alteração de seus pais ou irmãos. A identificação de outros portadores na família é crucial para oferecer aconselhamento genético adequado e informar sobre os riscos de recorrência em futuras gestações.
O risco de recorrência não é de 100% nem de 0%. Para uma mãe portadora de translocação robertsoniana envolvendo o cromossomo 21 (ex: 14;21), o risco de ter um filho com SD é de aproximadamente 10-15%. Para translocação 21;21, o risco é de 100% de ter filhos com SD ou abortos espontâneos.
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