Síndrome de Down: Rastreamento de Leucemia em RN

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido, sexo feminino, 2 dias de vida, está em alojamento conjunto. Filho de mãe secundigesta, 39 anos, hígida, sem intercorrências durante a gestação. Ao nascimento, foi notado a presença de sopro sistólico na borda esternal esquerda baixa, realizado ecocardiograma que evidenciou defeito de septo atrioventricular total. Ao exame clínico, notase que a criança tem uma discreta hipotonia muscular com reflexo de Moro diminuído, hiperflexibilidade de articulações, perfil facial achatado, fendas palpebrais oblíquas, pele redundante na nuca, orelhas pequenas e arredondadas e prega palmar única bilateral. Baseado na hipótese diagnóstica mais provável para todos os achados fenotípicos da paciente, além da coleta de teste do pezinho, assinale a alternativa que contém outro exame complementar fundamental a ser realizado para este caso.

Alternativas

  1. A) Troponina.
  2. B) Ultrassonografia transfontanela.
  3. C) Creatinina.
  4. D) Creatinofosfoquinase.
  5. E) Hemograma completo

Pérola Clínica

RN com fenótipo de Síndrome de Down + cardiopatia congênita → alto risco de leucemia, solicitar hemograma completo.

Resumo-Chave

O recém-nascido apresenta múltiplos achados fenotípicos sugestivos de Síndrome de Down (Trissomia do 21), incluindo cardiopatia congênita (defeito de septo atrioventricular total), que é comum nessa síndrome. Pacientes com Síndrome de Down têm um risco significativamente aumentado de desenvolver leucemias, especialmente leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide aguda, tornando o hemograma completo um exame fundamental para rastreamento e acompanhamento.

Contexto Educacional

A Síndrome de Down, ou Trissomia do 21, é a anomalia cromossômica mais comum, caracterizada pela presença de uma cópia extra do cromossomo 21. Sua epidemiologia é de aproximadamente 1 em cada 700 nascidos vivos. É clinicamente importante devido à associação com diversas comorbidades, incluindo cardiopatias congênitas, hipotireoidismo, problemas gastrointestinais e um risco significativamente aumentado de leucemias. O diagnóstico da Síndrome de Down é frequentemente suspeitado ao nascimento pelos achados fenotípicos característicos, como hipotonia, fendas palpebrais oblíquas, prega palmar única e pele redundante na nuca. A confirmação é feita por cariótipo. A presença de um sopro cardíaco, como o descrito no caso, deve sempre levantar a suspeita de cardiopatia congênita, sendo o defeito de septo atrioventricular total a mais comum e grave. Além do teste do pezinho, que rastreia outras condições metabólicas, o hemograma completo é um exame complementar fundamental. Crianças com Síndrome de Down têm um risco 10 a 20 vezes maior de desenvolver leucemia, especialmente a leucemia mieloide aguda (LMA) e a leucemia linfoide aguda (LLA), com um pico de incidência nos primeiros 5 anos de vida. O hemograma permite o rastreamento de alterações nas linhagens celulares que podem indicar o início de um processo leucêmico, possibilitando intervenção precoce e melhorando o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados fenotípicos mais comuns na Síndrome de Down em recém-nascidos?

Recém-nascidos com Síndrome de Down frequentemente apresentam hipotonia muscular, hiperflexibilidade articular, perfil facial achatado, fendas palpebrais oblíquas, prega palmar única bilateral, pele redundante na nuca e orelhas pequenas e arredondadas.

Qual a cardiopatia congênita mais comum associada à Síndrome de Down?

O defeito de septo atrioventricular total (DSAVT) é a cardiopatia congênita mais comum e característica da Síndrome de Down, embora outras como a comunicação interventricular (CIV) e a comunicação interatrial (CIA) também sejam frequentes.

Por que o hemograma completo é fundamental em um RN com suspeita de Síndrome de Down?

O hemograma completo é crucial devido ao risco aumentado de leucemias (mieloide aguda e linfoide aguda) em crianças com Síndrome de Down. O rastreamento precoce permite o diagnóstico e início do tratamento oportuno, melhorando o prognóstico.

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