UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Menina, 3 anos de idade, é acompanhada em puericultura com diagnóstico de síndrome de Down e sem histórico de intercorrências. A mãe refere que a última avaliação oftalmológica realizada foi com 2 meses de vida. Qual é a orientação de acompanhamento oftalmológico mais adequada?
Síndrome de Down → Exame oftalmológico ANUAL (↑ risco de catarata, glaucoma e erros refrativos).
Crianças com Síndrome de Down possuem alta prevalência de patologias oculares; o acompanhamento anual é mandatório para garantir o desenvolvimento visual e neuropsicomotor.
A Síndrome de Down (Trissomia do 21) é a alteração cromossômica mais comum e está associada a múltiplas comorbidades. No âmbito oftalmológico, estima-se que mais de 60% dessas crianças apresentem algum distúrbio visual ao longo da vida. O atraso no diagnóstico de um erro refrativo ou de uma catarata pode comprometer severamente o desenvolvimento cognitivo e a integração social da criança. As diretrizes de puericultura e de sociedades de genética recomendam que, além do teste do reflexo vermelho ao nascimento, o exame oftalmológico completo (com cicloplegia) seja realizado anualmente. Essa rotina permite a prescrição precoce de lentes corretivas e a intervenção cirúrgica oportuna em casos de catarata ou glaucoma, otimizando o potencial de aprendizado e autonomia do paciente.
Pacientes com Síndrome de Down apresentam uma incidência muito superior à população geral de diversas condições oculares, como erros de refração (miopia, astigmatismo), estrabismo, catarata (tanto congênita quanto adquirida precocemente), glaucoma e ceratocone. Muitas dessas condições podem surgir ou progredir rapidamente na infância, exigindo vigilância constante.
As alterações mais frequentes incluem erros refrativos significativos, estrabismo (especialmente esotropia), nistagmo, obstrução das vias lacrimais, blefarite e anomalias da íris (manchas de Brushfield). A catarata e o glaucoma, embora menos comuns que os erros de refração, têm gravidade elevada e requerem detecção precoce.
A primeira avaliação deve ocorrer preferencialmente nos primeiros meses de vida (até os 6 meses) para descartar catarata congênita e glaucoma infantil. Após a avaliação inicial, o seguimento deve ser anual, ou em intervalos menores se houver patologia detectada.
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