Síndrome de Down: Rastreamento Anual de Hipotireoidismo

ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Acerca do tema síndrome de Down, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Por causa de o risco de hipotireoidismo ser alto ao longo da vida, deve-se solicitar a dosagem de TSH anualmente.
  2. B) O ecocardiograma se faz necessário caso se auscultem sopros cardíacos, pois cardiopatia é rara nesses pacientes.
  3. C) Recomenda-se evitar cambalhotas, futebol e mergulhos em razão da língua protusa da micrognatia.
  4. D) Há um calendário de imunização específico para as crianças com síndrome de Down, com diferenças nas idades das vacinas.
  5. E) Intervenções como fisioterapia motora e fonoaudiologia são indicadas somente quando há queixa específica.

Pérola Clínica

Síndrome de Down: Alto risco de hipotireoidismo → TSH anual é rastreamento padrão.

Resumo-Chave

Indivíduos com Síndrome de Down têm uma predisposição genética a diversas condições médicas, incluindo disfunções tireoidianas. O hipotireoidismo é particularmente comum e pode ter um impacto significativo no desenvolvimento e na qualidade de vida, justificando o rastreamento anual do TSH.

Contexto Educacional

A Síndrome de Down, ou Trissomia do 21, é uma condição genética caracterizada pela presença de um cromossomo 21 extra. Indivíduos com Síndrome de Down apresentam uma série de características clínicas e uma predisposição aumentada a diversas condições médicas, o que exige um acompanhamento de saúde multidisciplinar e contínuo. Compreender essas particularidades é fundamental para um cuidado médico adequado. Entre as condições mais prevalentes, o hipotireoidismo é notavelmente comum, afetando uma parcela significativa dos indivíduos com Síndrome de Down ao longo da vida, tanto na forma congênita quanto adquirida (frequentemente autoimune). Devido ao alto risco e ao impacto negativo do hipotireoidismo não tratado no desenvolvimento cognitivo e físico, as diretrizes recomendam o rastreamento anual da função tireoidiana, com dosagem de TSH, a partir do nascimento e por toda a vida. Outras considerações importantes incluem: a alta incidência de cardiopatias congênitas (cerca de 50%), sendo o defeito do septo atrioventricular o mais comum, o que torna o ecocardiograma de rotina essencial no período neonatal, independentemente da ausculta de sopros; o risco de instabilidade atlantoaxial, que pode exigir restrição de atividades físicas de alto impacto ou que envolvam movimentos bruscos do pescoço; e a imunização, que segue o calendário vacinal padrão para a população geral, sem diferenças nas idades das vacinas, embora a resposta imune possa ser menos robusta em alguns casos. Intervenções como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional são indicadas precocemente e de forma contínua, não apenas quando há queixa específica, para otimizar o desenvolvimento.

Perguntas Frequentes

Qual a prevalência de hipotireoidismo em indivíduos com Síndrome de Down?

O hipotireoidismo é uma das condições endócrinas mais comuns na Síndrome de Down, afetando cerca de 15-30% dos indivíduos ao longo da vida, sendo mais frequente o hipotireoidismo subclínico e autoimune.

Quais são as principais cardiopatias congênitas associadas à Síndrome de Down?

As cardiopatias congênitas são muito comuns, afetando cerca de 50% dos indivíduos com Síndrome de Down, sendo as mais frequentes o defeito do septo atrioventricular (canal atrioventricular) e a comunicação interventricular.

Por que atividades como cambalhotas são contraindicadas em alguns casos de Síndrome de Down?

A contraindicação de atividades que envolvem flexão ou extensão excessiva do pescoço, como cambalhotas, deve-se ao risco de instabilidade atlantoaxial, uma condição em que há frouxidão ligamentar entre C1 e C2, podendo levar à compressão medular.

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