MEWDS e Alterações no Eletrorretinograma: Redução da Onda A

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Mulher de 23 anos de idade refere fotopsia e escotoma central unilateral há um dia. Ao exame do olho afetado, apresenta retração de -3,00 DE e discreta reação de câmara anterior. A retinografia colorida (Figura A), angiofluoresceinografia (Figura B· fase precoce; Figura C - fase tardia) e tomografia de coerência óptica macular (Figura D) são apresentadas abaixo. Evoluiu com melhora espontânea do quadro. Qual achado sobre a variação da amplitude de onda eletrorretinografia reforçaria o diagnóstico mais provável desta paciente?

Alternativas

  1. A) Aumento da "a".
  2. B) Aumento da "b".
  3. C) Redução da "a".
  4. D) Redução da "b".

Pérola Clínica

MEWDS → redução transitória da amplitude da onda 'a' no ERG (acometimento de fotorreceptores).

Resumo-Chave

A MEWDS é uma síndrome inflamatória idiopática que afeta seletivamente os fotorreceptores, resultando em redução da onda 'a' no ERG, com recuperação espontânea.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Pontos Brancos Evanescentes (MEWDS) faz parte do espectro das 'White Dot Syndromes'. É fundamental para o residente diferenciar a MEWDS de outras condições como a Coroidopatia Multifocal ou a Epiteliopatia Pigmentar Placóide Multifocal Posterior Aguda (APMPPE), pois a MEWDS tem o melhor prognóstico e raramente requer tratamento. A correlação eletrofisiológica é um ponto alto em provas de título. Lembrar que a onda 'a' é negativa e gerada pelos fotorreceptores, enquanto a onda 'b' é positiva e gerada pelas células bipolares e de Müller. Na MEWDS, o insulto é externo, justificando a queda da onda 'a'. A recuperação funcional costuma preceder a recuperação anatômica completa visualizada no OCT.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a MEWDS clinicamente?

A MEWDS (Multiple Evanescent White Dot Syndrome) é uma doença inflamatória rara, geralmente unilateral, que afeta mulheres jovens e míopes. Os sintomas típicos incluem fotopsias (flashes de luz) e escotoma central ou paracentral súbito. Ao exame, observam-se múltiplos pontos brancos pequenos e profundos na retina externa e no epitélio pigmentado da retina (EPR), localizados principalmente no polo posterior e média periferia. Um achado clássico é a aparência granular da fóvea (foveal granularity). A doença é autolimitada, com recuperação visual em semanas.

Por que a onda 'a' do ERG é reduzida na MEWDS?

O eletrorretinograma (ERG) de campo total ou multifocal na MEWDS mostra uma redução característica na amplitude da onda 'a'. A onda 'a' representa a resposta inicial dos fotorreceptores (cones e bastonetes) ao estímulo luminoso. Como a fisiopatologia da MEWDS envolve uma disfunção transitória dos segmentos externos dos fotorreceptores, essa onda é a mais afetada. Curiosamente, a amplitude da onda 'a' costuma retornar ao normal conforme as lesões retinianas desaparecem e a visão melhora.

Quais os achados de imagem na MEWDS?

Na angiofluoresceinografia, as lesões apresentam hiperfluorescência precoce em 'coroa' (wreath-like pattern) e impregnação tardia. A autofluorescência é muito útil, mostrando pontos hiperautofluorescentes que correspondem às lesões ativas. No OCT (Tomografia de Coerência Óptica), observa-se a desorganização ou perda da zona elipsoide (EZ) e da membrana limitante externa, confirmando que o dano é focado na junção dos segmentos internos e externos dos fotorreceptores.

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