SOP: Metformina no Tratamento e Fertilidade

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 27 anos de idade, nuligesta, tentando engravidar há um ano e meio, queixa-se de acne, oleosidade da pele e aumento de pelos na face, confirmados no exame físico. Refere também que os ciclos menstruais geralmente são irregulares, com intervalos de até dois meses. Nega doenças crônicas conhecidas, uso de medicamentos e doenças familiares dignas de nota. Ao USG transvaginal, foi observado útero em medioversão, com volume de 60 cm³ , ovário direito com volume de 15 cm³ e ovário esquerdo com volume de 13 cm³ , sem descrição de folículos. Foi feita a dosagem sérica de androgênios (testosterona, androstenediona, DHEA e SDHEA) e todos se encontravam dentro dos limites da normalidade. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta em relação à síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Alternativas

  1. A) A avaliação de resistência insulínica faz parte dos critérios diagnósticos de SOP.
  2. B) A paciente não preenche os critérios para diagnóstico de SOP.
  3. C) O USG não é sugestivo de SOP, pois não foram vistos múltiplos folículos, porém os demais sintomas permitem fechar diagnóstico.
  4. D) Recomenda-se sempre iniciar o tratamento com anticoncepcional oral combinado para a remissão da doença antes de se liberar a paciente para engravidar.
  5. E) A metformina é utilizada para o tratamento e leva à melhora do padrão menstrual e à redução dos níveis dos androgênios, além de ter efeito positivo sobre a ovulação.

Pérola Clínica

SOP com resistência insulínica → Metformina melhora ciclo, androgênios e ovulação, útil para infertilidade.

Resumo-Chave

A metformina é uma opção terapêutica na SOP, especialmente em pacientes com resistência à insulina, pois melhora a sensibilidade à insulina, o que pode levar à regularização dos ciclos menstruais, redução dos níveis de androgênios e melhora da ovulação, sendo benéfica para mulheres que buscam engravidar.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição endócrina complexa que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois desses três achados, após a exclusão de outras causas. A paciente do caso apresenta hiperandrogenismo clínico (acne, oleosidade, hirsutismo) e oligoamenorreia, o que já é suficiente para o diagnóstico de SOP, mesmo com androgênios séricos normais e ultrassonografia não conclusiva para múltiplos folículos. A resistência à insulina é uma característica fisiopatológica central na SOP, contribuindo para o hiperandrogenismo e a disfunção ovulatória. A metformina, um sensibilizador de insulina, é frequentemente utilizada no tratamento da SOP, especialmente em pacientes com evidência de resistência à insulina ou que buscam engravidar. Seus benefícios incluem a melhora da sensibilidade à insulina, o que pode levar à regularização dos ciclos menstruais, redução dos níveis de androgênios e, consequentemente, melhora dos sintomas de hiperandrogenismo, além de um efeito positivo na ovulação e nas taxas de gravidez. É importante notar que o tratamento da SOP é individualizado, dependendo dos sintomas predominantes e dos objetivos da paciente. Para o hiperandrogenismo e irregularidades menstruais, os anticoncepcionais orais combinados são frequentemente a primeira linha. Para a infertilidade, a indução da ovulação com clomifeno ou letrozol, e a metformina como adjuvante, são opções. A avaliação da resistência insulínica é crucial para o manejo metabólico, mas não é um critério diagnóstico para a SOP em si.

Perguntas Frequentes

A metformina é o tratamento de primeira linha para todas as mulheres com SOP?

Não, a metformina é particularmente útil em pacientes com SOP e resistência à insulina, ou naquelas que buscam engravidar. Para sintomas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, anticoncepcionais orais combinados são frequentemente a primeira linha.

A avaliação de resistência insulínica é um critério diagnóstico para SOP?

Não, a resistência insulínica é uma característica fisiopatológica comum na SOP e uma comorbidade importante, mas não faz parte dos critérios diagnósticos de Rotterdam.

É possível ter SOP mesmo com androgênios séricos normais e USG sem múltiplos folículos?

Sim. A SOP pode ser diagnosticada se a paciente preencher dois dos três critérios de Rotterdam. Neste caso, a paciente tem hiperandrogenismo clínico (acne, hirsutismo) e oligoamenorreia, o que já seria suficiente para o diagnóstico, mesmo com androgênios laboratoriais normais e USG não conclusiva.

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