PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024
Leia o relato do caso clínico a seguir. Mulher, 22 anos de idade, foi ao ambulatório de ginecologia com queixa de irregularidade do ciclo menstrual, usava anticoncepcional oral combinado para menstruar, porém parou há 6 meses, pois deseja engravidar. Desde então a menstruação não ocorreu. Ao exame físico IMC: 35 kg/m², hirsutismo e acne. A ultrassonografia transvaginal mostra múltiplos cistos hipoecóicos pequenos. Para conduzir esse caso, o ginecologista pode recomendar:
SOP + obesidade → perda de 5-10% peso melhora irregularidade menstrual e fertilidade.
Em pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e obesidade, a perda de 5 a 10% do peso corporal é a primeira linha de tratamento para melhorar a irregularidade menstrual, o hirsutismo, a acne e aumentar as chances de ovulação espontânea, sendo mais eficaz que a metformina ou clomifeno como medida inicial isolada.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum, afetando cerca de 5-10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo a principal causa de anovulação crônica e infertilidade. Caracteriza-se por um espectro de manifestações clínicas e metabólicas, incluindo irregularidade menstrual, hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia) e morfologia ovariana policística. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, hiperandrogenismo e disfunção ovariana. A resistência à insulina leva à hiperinsulinemia compensatória, que estimula a produção ovariana de androgênios e contribui para a disfunção ovulatória. A obesidade agrava a resistência à insulina, intensificando os sintomas da SOP. O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado nos critérios de Rotterdam, e a exclusão de outras endocrinopatias é fundamental. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações. Em pacientes obesas, a perda de peso de 5 a 10% é a intervenção de primeira linha, demonstrando melhora significativa na ovulação, nos níveis de androgênios e na sensibilidade à insulina. Outras abordagens incluem contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e agentes indutores de ovulação (como citrato de clomifeno ou letrozol) para aquelas que desejam engravidar. A metformina pode ser considerada em casos de resistência à insulina ou como adjuvante na indução de ovulação.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia (≥12 folículos de 2-9mm em cada ovário ou volume ovariano >10mL), após exclusão de outras causas.
A perda de 5 a 10% do peso corporal em pacientes obesas com SOP melhora significativamente a resistência à insulina, reduz os níveis de androgênios, restaura a ovulação espontânea e melhora as taxas de concepção, sendo uma intervenção de baixo risco e alta eficácia antes de terapias farmacológicas.
A metformina é indicada principalmente para pacientes com intolerância à glicose ou diabetes tipo 2 e pode ser usada como adjuvante na indução de ovulação. O citrato de clomifeno é a primeira linha farmacológica para indução de ovulação em pacientes com SOP que não ovulam após a perda de peso ou que não são obesas.
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