Síndrome dos Ovários Policísticos: Diagnóstico e Manejo

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 28 anos, G₂P₂A₀ (1 Parto normal e 1 Cesariana com LT, anteriores), última menstruação há 4 meses, nega uso de qualquer medicação, comparece à UBS, sendo examinada (Ferriman=12), trazendo os seguintes resultados de exames, realizados há uma semana: FSH= 7,5 mUI/ml, Beta-HCG sérico negativo, Prolactina= 12 ng/dL, TSH= 2,5mUI/L, Testosterona total= 97ng/dL e SDHEA= 155ng/dL . Nesta situação, a conduta correta é:

Alternativas

  1. A) Iniciar imediatamente anticoncepção com pílula combinada, devido ao FSH baixo;
  2. B) Prescrever Terapia de Reposição Hormonal imediatamente, utilizando-se da medicação disponível na UBS;
  3. C) Solicitar ultra-sonografia apenas, para avaliar o endométrio;
  4. D) O quadro clínico é compatível com anovulação crônica, por síndrome dos ovários policísticos e o tratamento pode ser somente progestágeno 14 dias por mês, iniciando no 12º dia do ciclo.
  5. E) Repetir os exames em uma semana, adicionando ao pedido, as dosagens de LH e Progesterona.

Pérola Clínica

Hirsutismo + amenorreia + exames hormonais normais (exceto androgênios) = SOP → Tratamento com progestágeno para regular ciclo.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hirsutismo (Ferriman=12) e amenorreia (última menstruação há 4 meses), com exames que excluem outras causas de anovulação (gravidez, hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana). Os níveis de testosterona total e SDHEA estão discretamente elevados ou no limite superior, compatíveis com hiperandrogenismo. Este quadro é altamente sugestivo de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que se manifesta com anovulação crônica e hiperandrogenismo. O tratamento com progestágeno cíclico visa induzir sangramento de privação e proteger o endométrio.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por anovulação crônica, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais, e está associada à resistência à insulina e hiperinsulinemia compensatória, que estimula a produção de androgênios ovarianos. O diagnóstico da SOP é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e anovulação, como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana e tumores. A paciente do caso apresenta hirsutismo (Ferriman=12) e amenorreia, com exames hormonais que corroboram o hiperandrogenismo e excluem outras causas. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Para pacientes com anovulação e amenorreia, o uso de progestágeno cíclico é uma opção para induzir sangramento menstrual regular, proteger o endométrio da hiperplasia e melhorar a qualidade de vida. Outras abordagens incluem anticoncepcionais orais combinados para hirsutismo e acne, e sensibilizadores de insulina como a metformina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os critérios de Rotterdam incluem dois dos três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia.

Como o progestágeno cíclico atua no tratamento da SOP?

O progestágeno cíclico induz um sangramento de privação, regularizando o ciclo menstrual e protegendo o endométrio da hiperplasia causada pela exposição estrogênica contínua sem oposição.

Quais outras condições devem ser excluídas antes do diagnóstico de SOP?

É importante excluir hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de androgênios e síndrome de Cushing.

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