SOP: Diagnóstico em Casos Atípicos e Infertilidade Feminina

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Sara tem 30 anos, menarca aos 13 anos, casada há 10 anos, refere que seus ciclos menstruais eram irregulares quanto ao volume e intervalos e por isso fez uso de anticoncepcional oral desde seus 13 anos. Parou o anticoncepcional há 2 anos e seus ciclos menstruais tornaram-se irregulares novamente quanto ao intervalo e duração. Ela quer muito engravidar, mas até agora não conseguiu. Não apresenta sinais de hiperandrogenismo e nenhuma comorbidade. Seu ultrassom transvaginal é normal. Os exames de investigação para esterilidade por fator masculino e canalicular são normais também. Com as informações do caso clínico marque a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Apesar de não ter os critérios de Rotterdan a hipótese diagnóstica é de SOP, pois a clínica é soberana.
  2. B) Uma vez que não preenche os critérios de Rotterdan descarta-se o diagnóstico de SOP.
  3. C) O quadro clínico é típico de síndrome metabólica.
  4. D) O diagnóstico mais provável é a Síndrome de Savage.

Pérola Clínica

SOP: Anovulação crônica + infertilidade + USG normal SEM hiperandrogenismo → clínica soberana para diagnóstico.

Resumo-Chave

O diagnóstico de SOP é clínico e baseado nos critérios de Rotterdam (2 de 3: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos ao USG). No entanto, a anovulação crônica é o pilar da síndrome, e na ausência de outras causas e com infertilidade, a SOP pode ser diagnosticada mesmo sem hiperandrogenismo ou USG típico.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e infertilidade feminina. Seu diagnóstico é baseado nos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo-ovulação ou anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. No caso apresentado, a paciente tem ciclos menstruais irregulares desde a menarca e infertilidade, o que sugere fortemente anovulação crônica. Embora não apresente hiperandrogenismo clínico e o ultrassom seja normal, a persistência da anovulação crônica, após exclusão de outras causas de irregularidade menstrual e infertilidade (fator masculino e canalicular normais), torna a SOP a hipótese diagnóstica mais provável. A clínica de anovulação crônica é soberana na SOP. A ausência de um dos critérios de Rotterdam não exclui o diagnóstico se os outros forem fortemente sugestivos e outras causas forem descartadas. O tratamento visa restaurar a ovulação para a concepção e manejar os sintomas metabólicos e androgênicos, se presentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo-ovulação ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários com morfologia policística ao ultrassom.

É possível diagnosticar SOP sem ovários policísticos ao ultrassom?

Sim, é possível. Se a paciente apresentar oligo/anovulação e hiperandrogenismo, o diagnóstico de SOP pode ser feito mesmo com ultrassom ovariano normal, pois a anovulação crônica é um pilar da síndrome.

Qual a importância da anovulação crônica no diagnóstico de SOP?

A anovulação crônica é um dos critérios fundamentais da SOP e é a principal causa de infertilidade nessas pacientes. Sua presença, associada a outros achados, é crucial para o diagnóstico.

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