INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021
Mulher, 23 anos, apresentou menarca aos 11 anos, e, desde então, tem ciclos menstruais irregulares (intensidade variável e intervalos variando de 30 até 90 dias). Exame físico: 92kg; 160cm; avaliação pela escala de FerrimanGallwey de 12 pontos. Exames complementares: FSH = 7,3UI/L; LH = 11,1UI/L; TSH = 2,2mUI/L; prolactina = 12,0ng/mL; cortisol salivar noturno < 0,2μ/mL; SDHEA = 220,0μ/dL; 17Oh progesterona = 30,0ng/dL. Ultrassonografia (US) transvaginal: ovário direito com volume de 12mL e presença de 22 folículos antrais inferiores a 10mm; ovário esquerdo com volume 13mL e presença de 25 folículos antrais inferiores a 10mm. A principal hipótese diagnóstica para esta paciente é:
SOP = Oligo/anovulação + Hiperandrogenismo (clínico/bioquímico) + Ovários policísticos US (Critérios de Rotterdam).
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum em mulheres em idade reprodutiva, diagnosticado pelos critérios de Rotterdam. Caracteriza-se por disfunção menstrual (oligomenorreia ou amenorreia), sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne) e morfologia ovariana policística na ultrassonografia, após exclusão de outras causas.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva. Sua prevalência é significativa, afetando cerca de 5% a 10% das mulheres. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais devido às suas implicações reprodutivas (infertilidade), metabólicas (resistência à insulina, diabetes tipo 2, dislipidemia) e cardiovasculares. O diagnóstico da SOP é clínico e laboratorial, baseado nos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três achados: oligo/anovulação (ciclos irregulares ou ausentes), hiperandrogenismo (clínico, como hirsutismo e acne, ou bioquímico, com elevação de androgênios séricos) e ovários policísticos à ultrassonografia (volume ovariano aumentado e/ou múltiplos folículos antrais). É imperativo excluir outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores virilizantes, disfunção tireoidiana e hiperprolactinemia. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercícios para perda de peso), contraceptivos orais combinados para regularizar ciclos e tratar hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina. Para residentes, a compreensão aprofundada da fisiopatologia, dos critérios diagnósticos e do manejo da SOP é essencial para a prática clínica em ginecologia e endocrinologia.
Os critérios de Rotterdam estabelecem que o diagnóstico de SOP requer a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários com morfologia policística na ultrassonografia, após exclusão de outras etiologias.
É fundamental solicitar TSH, prolactina, 17-hidroxiprogesterona (para excluir HAC não clássica), cortisol (para Cushing) e androgênios (testosterona total e livre, SDHEA) para avaliar o hiperandrogenismo e descartar outras causas de irregularidade menstrual e hirsutismo.
A obesidade é comum em mulheres com SOP e agrava a resistência à insulina, um fator chave na fisiopatologia da síndrome. A resistência à insulina leva a um aumento compensatório da insulina, que estimula a produção de androgênios pelos ovários, piorando os sintomas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo