Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma paciente de 38 anos de idade, sem desejo gestacional, queixa-se de ciclos menstruais irregulares, tendo apresentado somente oito ciclos menstruais no último ano. Refere incomodar-se com pilificação e oleosidade da pele. Conforme o exame físico, apresenta IMC igual a 24, presença de acne em face e índice de Ferriman-Gallwey igual a 8. Resultado do USG TV: útero em anteversão, centrado, de dimensões preservadas, contornos regulares e textura miometrial homogênea. O útero mede 7,6 × 3,8 × 4,8 cm, com volume igual a 72,1 cm³. Conforme exames, apresenta: eco endometrial centrado e homogêneo, medindo 0,8 cm de espessura; ovário direito com volume de 6,5 cm³, com presença de 5 imagens císticas, anecogênicas, medindo até 5 mm; ovário esquerdo com volume de 12,9 cm³, com presença de 7 imagens císticas, anecogênicas, medindo até 8 mm. Outros exames revelam os resultados apresentados na tabela a seguirCom base nesse caso clínico hipotético, assinale a alternativa correta.
SOP = Oligo/anovulação + Hiperandrogenismo (clínico/laboratorial) + Ovários policísticos USG (2 de 3 critérios Rotterdam).
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum em mulheres, caracterizado por disfunção ovulatória e hiperandrogenismo. O tratamento inicial para sintomas como irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, em mulheres sem desejo gestacional, são os contraceptivos orais combinados com progestagênio antiandrogênico.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, afetando aproximadamente 5-10% delas. É uma condição heterogênea, caracterizada por uma combinação de distúrbios reprodutivos, metabólicos e dermatológicos. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três achados: oligo/anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. É crucial excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual antes de firmar o diagnóstico de SOP. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em resistência à insulina, hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. O hiperandrogenismo leva a sintomas como hirsutismo, acne e alopecia androgênica. A resistência à insulina contribui para o aumento da produção de androgênios ovarianos e adrenais, além de aumentar o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A anovulação crônica resulta em irregularidades menstruais e infertilidade. O tratamento da SOP é individualizado e focado nos sintomas predominantes e no desejo gestacional da paciente. Para mulheres sem desejo de engravidar, os contraceptivos orais combinados são a primeira linha de tratamento, pois regulam o ciclo menstrual, reduzem o hiperandrogenismo e protegem o endométrio. Progestagênios com ação antiandrogênica (como ciproterona, drospirenona) são particularmente úteis para o hirsutismo e acne. Mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, são fundamentais para manejar a resistência à insulina e o peso.
Os Critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligo/anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia.
Contraceptivos orais combinados são a primeira linha, especialmente aqueles com progestagênios de ação antiandrogênica, para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo.
Outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual incluem hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, hiperplasia adrenal congênita não clássica e tumores secretores de androgênios.
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