SOP: Critérios de Rotterdam e Diagnóstico Clínico

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

D.N.B., 25 anos, refere aumento de pelos e diz que seus ciclos menstruais são irregulares, com intervalos de até 4 meses. Nega comorbidades ou uso de fármacos. Paciente VIRGO. Ultrassom pélvica revelou: ovário esquerdo medindo 12 cm3, e ovário direito medindo 9 cm3, além de volume uterino normal. Níveis séricos de TSH, T4 livre, prolactina, 17 OH progesterona e testosterona dentro dos limites da normalidade.De acordo com o caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Não se trata de síndrome dos ovários policísticos (SOP), pois os níveis séricos de androgênios encontram-se dentro dos limites de normalidade.
  2. B) Microscistos ovarianos são fundamentais para o diagnóstico de SOP.
  3. C) Para suprir critério para SOP, os microcistos devem apresentar-se em região periférica dos ovários.
  4. D) Dieta e atividade física não promovem melhora do quadro clínico ou da resistência insulínica.
  5. E) Preenche os critérios para o diagnóstico da SOP, de acordo com o Consenso de Rotterdam.

Pérola Clínica

SOP (Rotterdam) = 2 de 3: Oligo/anovulação, Hiperandrogenismo (clínico/laboratorial), Ovários policísticos USG.

Resumo-Chave

O Consenso de Rotterdam define SOP pela presença de dois dos três critérios: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo, e ovários com morfologia policística ao ultrassom, após exclusão de outras causas. A paciente apresenta irregularidade menstrual (oligo-ovulação) e ovários com volume aumentado (>10 cm³), preenchendo dois critérios.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada entre 5% e 10%. É a principal causa de anovulação crônica e hiperandrogenismo, impactando a fertilidade e a qualidade de vida. Seu diagnóstico precoce e manejo adequado são cruciais para prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares a longo prazo. O diagnóstico da SOP é feito com base nos Critérios de Rotterdam (2003), que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (ciclos menstruais irregulares, amenorreia), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e morfologia ovariana policística ao ultrassom (≥20 folículos por ovário e/ou volume ovariano >10 cm³). É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo ou irregularidade menstrual, como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, hiperplasia adrenal congênita não clássica e tumores produtores de androgênios. O tratamento da SOP é individualizado e foca no manejo dos sintomas e na prevenção de complicações. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercícios para perda de peso e melhora da resistência insulínica), contraceptivos orais combinados para regularização menstrual e tratamento do hiperandrogenismo, antiandrogênios para hirsutismo e acne, e indutores de ovulação para infertilidade. A resistência insulínica é uma característica comum e pode ser abordada com metformina, especialmente em pacientes com intolerância à glicose.

Perguntas Frequentes

Quais são os três critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam para SOP incluem: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários com morfologia policística ao ultrassom.

Um ultrassom com ovários policísticos é suficiente para diagnosticar SOP?

Não, a presença de ovários policísticos ao ultrassom é apenas um dos três critérios de Rotterdam. Para o diagnóstico, são necessários pelo menos dois dos três critérios, além da exclusão de outras causas.

A testosterona sérica normal exclui o diagnóstico de SOP?

Não necessariamente. O hiperandrogenismo pode ser clínico (hirsutismo) mesmo com testosterona total normal, ou pode ser detectado por outros marcadores como a testosterona livre.

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