SOP: Diagnóstico, Critérios e Riscos para Residentes

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 30 anos de idade, com desejo gestacional, apresentando ciclos menstruais irregulares, com presença de acne em dorso e rosto, índice de massa corpórea 30 Kg/m2, ao exame físico foi observado um escore de 14 na escala de Ferriman-Gallwey, a ultrassonografia transvaginal evidencia ovários de volume igual a 8ml a direita e 5 ml a esquerda, com contagem de 6 folículos. Foram realizados exames que descartam hiperandrogenismo laboratorial, o FSH dosado em primeira fase do ciclo foi de 6,5 mUI/mL, teste de gravidez negativo e função tireoidiana normal. Diante do caso, o diagnóstico e risco futuro para essa paciente são:

Alternativas

  1. A) Síndrome dos ovários policísticos, com risco de atrofia endometrial.
  2. B) Hiperplasia adrenal de manifestação tardia, com risco de insuficiência adrenocortical.
  3. C) Síndrome de Cushing, com risco de hipopituitarismo.
  4. D) Síndrome de Stein-Leventhal, com risco aumentado de disfunção ovulatória.
  5. E) Síndrome de insensibilidade androgênica completa, com risco de câncer de ovário.

Pérola Clínica

SOP: 2 de 3 critérios (oligo/anovulação, hiperandrogenismo, ovários policísticos USG) após exclusão de outras causas.

Resumo-Chave

A paciente preenche os critérios para Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que inclui oligomenorreia, hiperandrogenismo clínico (acne, hirsutismo Ferriman-Gallwey 14) e ovários de aspecto policístico na ultrassonografia (embora a contagem folicular seja limítrofe, o volume ovariano é relevante). A Síndrome de Stein-Leventhal é um termo histórico para SOP, e o risco futuro primário é a disfunção ovulatória e infertilidade.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada entre 5% e 10%. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e representa um desafio diagnóstico e terapêutico devido à sua heterogeneidade clínica. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações a longo prazo. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em disfunção ovariana, hiperandrogenismo e resistência à insulina. O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligo-ovulação/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e morfologia ovariana policística à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores secretores de androgênios e disfunção tireoidiana. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas, prevenir complicações e abordar a infertilidade, se presente. As opções incluem mudanças no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, metformina para resistência à insulina e indutores de ovulação para pacientes com desejo gestacional. O acompanhamento regular é essencial para monitorar os riscos metabólicos e cardiovasculares associados à SOP.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

O diagnóstico de SOP é feito quando a paciente apresenta pelo menos dois dos três critérios de Rotterdam, após exclusão de outras causas: oligo-ovulação ou anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia.

Qual a importância do escore de Ferriman-Gallwey no diagnóstico de SOP?

O escore de Ferriman-Gallwey é uma ferramenta clínica para quantificar o hirsutismo, um sinal de hiperandrogenismo. Um escore igual ou superior a 8 é geralmente considerado indicativo de hirsutismo e contribui para o critério de hiperandrogenismo clínico na SOP.

Quais são os principais riscos futuros para pacientes com SOP?

Os principais riscos futuros para pacientes com SOP incluem infertilidade devido à disfunção ovulatória, risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e, em casos de anovulação crônica sem progesterona, hiperplasia endometrial e câncer de endométrio.

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