Síndrome dos Ovários Policísticos: Diagnóstico e Manejo

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 26 anos, procurou a Unidade Básica de Saúde referindo ter suspenso o uso do contraceptivo oral há 18 meses, pois não necessita contracepção. Desde então, está apresentando ciclos menstruais irregulares que duram entre 45 a 60 dias. Refere fluxo menstrual de 4 a 5 dias e nega dismenorreia. Ao exame físico, apresenta IMC 32 kg/m², circunferência abdominal de 100 cm, pele oleosa com acne e índice de Ferriman=12. Em relação ao caso, afirma-se: I. Para confirmação diagnóstica de síndrome dos ovários policísticos, é necessário ainda que haja hiperandrogenismo laboratorial e ultrassonografia demonstrando pelo menos 20 folículos entre 2-9 mm em cada ovário. II. Se não houver desejo de gestar, devem ser prescritos medicamentos à base de progestágenos a fim de que provoquem menstruação de forma regular. III. Se houver desejo de gestar, está indicada a perda de peso associada ao uso de metformina. Esta conduta tem se mostrado mais efetiva do que a indução da ovulação com citrato de clomifeno. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

SOP: Sem desejo de gestar → progestágenos para regularizar ciclo e proteger endométrio. Regressão do desenvolvimento é sempre patológica.

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum. Para o diagnóstico, são necessários 2 dos 3 critérios de Rotterdam (oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos na USG). O tratamento varia conforme o desejo de gestar: sem desejo, foca-se na regularização do ciclo e controle dos sintomas androgênicos; com desejo, a perda de peso e indutores de ovulação (como citrato de clomifeno ou letrozol) são as primeiras linhas.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua prevalência é significativa, e o diagnóstico precoce e manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como infertilidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O caso clínico apresentado ilustra uma paciente com quadro típico de SOP, incluindo oligomenorreia, obesidade, acne e hirsutismo (Ferriman=12). Para a confirmação diagnóstica da SOP, os Critérios de Rotterdam são amplamente utilizados, exigindo a presença de pelo menos dois dos três achados: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual. A afirmação I da questão é incorreta por ser muito restritiva, pois a ultrassonografia não é sempre necessária se os outros dois critérios estiverem presentes. O tratamento da SOP é individualizado. Para pacientes que não desejam gestar, o foco é na regularização do ciclo menstrual (para prevenir hiperplasia endometrial) e no controle dos sintomas androgênicos, sendo os progestágenos cíclicos ou contraceptivos orais combinados as opções mais comuns, o que valida a afirmação II. Para aquelas com desejo de gestar, a perda de peso é a primeira e mais importante medida. A indução da ovulação é realizada com agentes como citrato de clomifeno ou letrozol, que são mais eficazes para esse fim do que a metformina isolada, tornando a afirmação III incorreta. A metformina pode ser um adjuvante útil, especialmente em pacientes com resistência à insulina, mas não substitui os indutores diretos da ovulação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os Critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (ciclos irregulares), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos na ultrassonografia (>=20 folículos de 2-9mm em cada ovário ou volume ovariano >10mL). Outras causas de hiperandrogenismo devem ser excluídas.

Qual a conduta para uma paciente com SOP que não deseja gestar?

Para pacientes com SOP que não desejam gestar, o tratamento foca na regularização dos ciclos menstruais (com progestágenos cíclicos ou contraceptivos orais combinados) para prevenir hiperplasia endometrial, e no controle dos sintomas androgênicos (com contraceptivos orais combinados ou antiandrogênios). A perda de peso é sempre recomendada para pacientes com sobrepeso/obesidade.

Qual a abordagem inicial para SOP em pacientes com desejo de gestar?

A primeira linha de tratamento para pacientes com SOP e desejo de gestar é a modificação do estilo de vida, com perda de peso em casos de sobrepeso ou obesidade. Após isso, a indução da ovulação é realizada, sendo o citrato de clomifeno ou o letrozol os agentes de primeira escolha. A metformina pode ser um adjuvante, especialmente em pacientes com resistência à insulina, mas não é mais efetiva que os indutores diretos da ovulação.

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