SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Leila, 29 anos, negra, casada, procurou atendimento em sua unidade básica de saúde devido a queixa de irregularidade menstrual. Leila planeja engravidar em breve. Ela refere menarca aos 12 anos com ciclos regulares até os seus 20 anos, quando começou a ganhar peso progressivamente. A partir do início da irregularidade menstrual chegou a ficar sem menstruar por até 6 meses. Aos 20 anos iniciou a faculdade e sua rotina alimentar e de atividade física mudou bastante. Durante a faculdade além dos estudos, trabalhava, fazia muitas refeições fora de casa e não tinha tempo para atividades físicas. No momento, está cursando mestrado profissional, então segue com uma rotina corrida. Leila conta que sua última menstruação ocorreu há 3 meses. Nega outras queixas e comorbidades. História familiar: mãe portadora de diabetes mellitus tipo 2. No exame físico, observa-se presença de pêlos em regiões androgênicas e acantose nigricans, acne moderada em face. Peso: 67kg Altura: 152cm. Qual é a etiologia mais provável do distúrbio menstrual de Leila e qual a melhor conduta inicial para o respectivo diagnóstico:
SOP = irregularidade menstrual + hiperandrogenismo + resistência à insulina. Conduta inicial: estilo de vida + metformina.
A paciente apresenta critérios clássicos de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): irregularidade menstrual, sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne) e resistência à insulina (acantose nigricans, obesidade, história familiar de DM2). A conduta inicial deve focar em mudanças no estilo de vida para perda de peso e melhora da resistência à insulina, com metformina sendo uma opção importante, especialmente para quem planeja engravidar e tem resistência à insulina.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por irregularidade menstrual, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. A resistência à insulina e a hiperinsulinemia compensatória desempenham um papel central na fisiopatologia, exacerbando a produção de androgênios ovarianos. O diagnóstico da SOP é clínico, baseado nos critérios de Rotterdam, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo ou irregularidade menstrual. Sinais como hirsutismo, acne, alopecia androgênica e acantose nigricans são indicativos. A obesidade e a história familiar de diabetes tipo 2 são fatores de risco importantes. O manejo da SOP é individualizado, mas as mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios para perda de peso) são a primeira linha de tratamento, melhorando a resistência à insulina e a ovulação. A metformina pode ser adicionada para pacientes com resistência à insulina, especialmente aquelas que planejam engravidar. Contraceptivos orais combinados são usados para regularizar ciclos e tratar hiperandrogenismo em quem não deseja gestar.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de dois dos três seguintes: oligo e/ou anovulação, sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia (após exclusão de outras causas).
A metformina melhora a sensibilidade à insulina, reduzindo a hiperinsulinemia, que contribui para o hiperandrogenismo e a disfunção ovulatória na SOP, além de auxiliar na perda de peso.
A perda de peso e a prática de exercícios físicos melhoram a resistência à insulina, regulam os ciclos menstruais, reduzem o hiperandrogenismo e aumentam as chances de ovulação espontânea e gravidez.
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