UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Mulher de 25 anos, nuligesta, com disfunção menstrual desde a menarca, apresenta períodos de amenorreia de até 9 meses. Exame físico: PA 130x70 mmHg, estatura 1,50 m, peso 72 kg, acne ausente, índice de Ferriman--Gallwey (IFG) 10, acantosis nigricans presente na região cervical posterior. USG-TV: útero 52 cm³, espessura endometrial 6 mm, ovário direito 8,5 cm³, ovário esquerdo 7,0 cm³. A principal hipotese diagnóstica é
SOP = Disfunção menstrual + Hiperandrogenismo + Ovários policísticos (USG) + Excluir outras causas.
A paciente apresenta critérios clássicos de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), como disfunção menstrual (amenorreia), sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo com IFG 10) e resistência à insulina (acantose nigricans, obesidade). Embora a USG não mostre ovários policísticos clássicos, a SOP é um diagnóstico de exclusão, exigindo o afastamento de outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva. Sua epidemiologia é significativa, afetando cerca de 5-10% das mulheres. A SOP tem implicações importantes para a saúde reprodutiva, metabólica e cardiovascular, tornando seu diagnóstico e manejo cruciais na prática clínica. A fisiopatologia da SOP envolve uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais, resultando em disfunção ovariana, resistência à insulina e hiperandrogenismo. A resistência à insulina, evidenciada pela acantose nigricans e obesidade, exacerba o hiperandrogenismo. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Rotterdam, que incluem oligo/anovulação, hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras etiologias. O tratamento da SOP é individualizado, visando aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas a vigilância para comorbidades como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares é essencial.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo/anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia. É um diagnóstico de exclusão.
A acantose nigricans é um marcador cutâneo de resistência à insulina, uma condição frequentemente associada à SOP. Sua presença sugere um componente metabólico importante na fisiopatologia da síndrome.
É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de andrógenos, síndrome de Cushing, hiperprolactinemia e disfunções tireoidianas.
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