SOP: Diagnóstico e Tratamento em Adolescentes

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

M.N.B., 19 anos, com menarca aos 12 anos, refere ciclos menstruais irregulares há cerca de 2 anos, com espaniomenorreia (ciclos menstruais a cada 60 dias). Refere pele oleosa, acne e evidenciado hirsutismo ao exame físico. Paciente ainda não teve atividade sexual e não pretende no momento. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Quando houver desejo gestacional, precisará necessariamente de indutores da ovulação.
  2. B) Valores elevados de FSH e índices baixos de LH auxiliam no diagnóstico.
  3. C) O contraceptivo hormonal combinado oral pode ser prescrito como tratamento.
  4. D) O diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos só pode ser firmado mediante ultrassonografia que revele policistos ovarianos.

Pérola Clínica

SOP: irregularidade menstrual + hiperandrogenismo clínico/laboratorial + exclusão de outras causas.

Resumo-Chave

O diagnóstico de SOP não exige ultrassonografia ovariana em adolescentes com menos de 8 anos pós-menarca, e o tratamento inicial para sintomas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual pode ser o contraceptivo hormonal combinado.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por anovulação crônica, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua prevalência varia, mas é uma das principais causas de infertilidade anovulatória e irregularidades menstruais. O reconhecimento precoce é crucial para manejo adequado e prevenção de complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O diagnóstico de SOP é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de dois dos três seguintes: oligo-ovulação/anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia. Em adolescentes, a irregularidade menstrual é comum nos primeiros anos pós-menarca, e a ultrassonografia ovariana pode ser enganosa, pois ovários multifoliculares são fisiológicos. Portanto, em adolescentes, o diagnóstico se baseia mais fortemente na irregularidade menstrual persistente (após 2 anos da menarca) e evidência de hiperandrogenismo. O tratamento da SOP é individualizado e focado nos sintomas e objetivos da paciente. Para irregularidade menstrual e hiperandrogenismo (acne, hirsutismo), os contraceptivos hormonais combinados orais são a primeira linha, pois suprimem a produção de androgênios ovarianos e regulam o ciclo. Para pacientes com desejo gestacional, indutores da ovulação como o citrato de clomifeno ou letrozol são utilizados. Mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, são fundamentais para todas as pacientes, especialmente aquelas com sobrepeso ou obesidade, visando melhorar a sensibilidade à insulina e os resultados reprodutivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para SOP em adolescentes?

Em adolescentes, o diagnóstico de SOP requer irregularidade menstrual persistente (>2 anos pós-menarca) e sinais de hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, após exclusão de outras causas. A ultrassonografia não é obrigatória.

Qual o tratamento inicial para SOP em pacientes sem desejo gestacional?

O tratamento inicial para SOP em pacientes sem desejo gestacional e com sintomas de hiperandrogenismo ou irregularidade menstrual é frequentemente o contraceptivo hormonal combinado oral, que melhora a acne, hirsutismo e regulariza os ciclos.

Por que a ultrassonografia não é mandatória para diagnóstico de SOP em adolescentes?

Ovários com múltiplos folículos são comuns em adolescentes saudáveis, tornando a ultrassonografia menos específica para o diagnóstico de SOP nesta faixa etária. O foco é nos critérios clínicos e laboratoriais.

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