HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher de 19 anos de idade comparece ao ambulatório com queixa de irregularidade menstrual. Durante a consulta, ela também solicita um encaminhamento ao dermatologista por apresentar acne em face e nas costas, além de aumento de pilificação pelo corpo. Relatou ainda que, há 2 anos, realizou ultrassonografia transvaginal, que não evidenciou qualquer alteração. Ao exame clínico, apresenta peso de 63kg, altura de 1,65m, pressão arterial de 110x65mmHg e exame ginecológico sem alterações. Qual é a primeira conduta que deve ser adotada neste momento, considerando o diagnóstico clínico da paciente?
SOP: Irregularidade menstrual + hiperandrogenismo → 1ª conduta = mudanças estilo de vida (dieta e exercícios).
Embora a paciente apresente sinais clássicos de SOP, a primeira conduta, mesmo com exames normais prévios, é sempre a modificação do estilo de vida, incluindo dieta e exercícios físicos. Isso visa melhorar a sensibilidade à insulina e os sintomas metabólicos e reprodutivos.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por irregularidade menstrual, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. Sua prevalência é significativa, tornando-a uma condição frequentemente encontrada na prática clínica, especialmente na ginecologia e endocrinologia. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e está associada a comorbidades metabólicas. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, com destaque para a resistência à insulina e o hiperandrogenismo. A resistência à insulina leva a um aumento compensatório da insulina, que estimula a produção ovariana de androgênios e contribui para a disfunção ovulatória. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Rotterdam, e a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual é fundamental. O tratamento da SOP é individualizado e visa o manejo dos sintomas e a prevenção de complicações a longo prazo. A primeira linha de tratamento, e a mais importante, é a modificação do estilo de vida, incluindo dieta saudável e exercícios físicos regulares, mesmo em pacientes com peso normal. Isso melhora a sensibilidade à insulina, a ovulação e os sintomas. Outras abordagens incluem contraceptivos orais para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e metformina para resistência à insulina ou anovulação.
O diagnóstico de SOP é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia.
A mudança de estilo de vida, com dieta e exercícios, é crucial na SOP para melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir o peso (se aplicável), e atenuar os sintomas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, sendo a base do tratamento.
Exames laboratoriais devem ser solicitados após a avaliação clínica inicial para confirmar o hiperandrogenismo (testosterona total, SHBG), excluir outras causas de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo (TSH, prolactina, 17-OH progesterona) e avaliar o perfil metabólico.
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