SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma paciente de 23 anos de idade refere que vem manifestando ciclos menstruais muito irregulares há três anos, com ausência total de menstruação nos últimos seis meses. Está bastante incomodada, pois vem apresentando aumento de peso e muitas espinhas e notou, também, presença de pelos em áreas não usuais para mulheres. Quanto a esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Caso a paciente apresente índice de Ferriman igual a 9, deverá ser solicitada ecografia pélvica transvaginal, para confirmar a presença de ovários policísticos à USG, achado imprescindível para confirmação diagnóstica.
SOP = 2 de 3: (1) Oligo/Anovulação, (2) Hiperandrogenismo, (3) Ovários Policísticos na USG. USG é dispensável se 1 e 2 estiverem presentes.
O diagnóstico da SOP é de exclusão e baseia-se nos Critérios de Rotterdam. Se a paciente apresenta irregularidade menstrual e hiperandrogenismo clínico (Ferriman ≥ 8), a ultrassonografia não é necessária para o diagnóstico.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres na idade reprodutiva. O caso descreve uma paciente com clara disfunção ovulatória (ciclos irregulares e amenorreia) e sinais de hiperandrogenismo clínico (acne, aumento de peso e pelos em áreas não usuais). Ao mencionar um índice de Ferriman-Gallwey igual a 9, o enunciado confirma o hiperandrogenismo clínico. De acordo com os Critérios de Rotterdam, tendo a paciente irregularidade menstrual (critério 1) e hiperandrogenismo clínico (critério 2), o diagnóstico de SOP já está estabelecido. Portanto, a afirmação de que a ultrassonografia seria 'achado imprescindível para confirmação diagnóstica' está incorreta. A USG é um critério adicional, mas não obrigatório na presença dos outros dois. O manejo deve focar na exclusão de diagnósticos diferenciais e no tratamento dos componentes metabólicos e reprodutivos da síndrome.
Os Critérios de Rotterdam (2003) estabelecem que o diagnóstico de SOP requer a presença de pelo menos dois dos três seguintes critérios: 1) Oligo-ovulação ou anovulação (geralmente manifestada por irregularidade menstrual ou amenorreia); 2) Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo (como hirsutismo, acne severa ou testosterona elevada); 3) Morfologia de ovários policísticos à ultrassonografia (12 ou mais folículos de 2-9mm em cada ovário ou volume ovariano > 10 cm³). Além disso, é obrigatório excluir outras patologias que mimetizam o quadro, como hiperplasia adrenal congênita, tumores secretores de androgênios e síndrome de Cushing.
O hirsutismo, que é o crescimento de pelos terminais em áreas dependentes de androgênios na mulher, é avaliado objetivamente pelo Índice de Ferriman-Gallwey modificado. Este índice avalia 9 áreas do corpo (lábio superior, queixo, tórax, abdome superior, abdome inferior, braços, coxas, dorso superior e dorso inferior), atribuindo uma pontuação de 0 a 4 para cada uma. Na população brasileira e em caucasianas, um escore total maior ou igual a 8 é considerado indicativo de hirsutismo clínico, sendo um marcador de hiperandrogenismo.
A ultrassonografia pélvica ou transvaginal é necessária apenas quando a paciente não preenche os dois primeiros critérios de Rotterdam (irregularidade menstrual e hiperandrogenismo clínico). Se uma paciente já apresenta ciclos irregulares e hirsutismo (Ferriman ≥ 8), o diagnóstico de SOP já pode ser firmado clinicamente, tornando a USG dispensável para a confirmação diagnóstica. Além disso, a USG não deve ser utilizada para diagnóstico de SOP em adolescentes (com menos de 8 anos após a menarca), pois a morfologia multifolicular é um achado fisiológico comum nessa fase do desenvolvimento.
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