USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher de 30 anos, nuligesta, portadora da síndrome dos ovários policísticos, em uso de contraceptivo combinado oral (COC) há 8 anos, com ciclos regulares e satisfeita com o controle do hiperandrogenismo. Comparece à consulta de rotina referindo dificuldade na perda de peso mesmo após orientações nutricionais. Refere prática irregular de atividade física. Exame físico: PA=120x80mmHg; IMC-31,3Kg/m2; Indice de Ferriman Gallwey=2; circunferência da cintura 104cm. Exame ginecológico: sem alterações. Exames complementares: Lipidograma normal; Teste de tolerância oral à glicose (75g): jejum= 88mg/dl e após 2 horas= 136mg/dl. Além de reforçar as orientações de alimentação saudável e atividade física regular, qual das condutas abaixo é a mais adequada para este caso?
SOP + IMC > 30 + intolerância à glicose → Metformina, mesmo com COC.
A paciente com SOP, obesidade (IMC 31,3 kg/m2) e intolerância à glicose (glicemia 2h=136 mg/dl) apresenta resistência à insulina, um componente chave da síndrome. A metformina é indicada para melhorar a sensibilidade à insulina, auxiliar na perda de peso e reduzir o risco de diabetes tipo 2, mesmo em uso de COC para hiperandrogenismo.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. É uma condição heterogênea, e a resistência à insulina desempenha um papel central na sua fisiopatologia, contribuindo para o hiperandrogenismo e as complicações metabólicas. A paciente em questão apresenta obesidade (IMC 31,3 kg/m2) e intolerância à glicose (glicemia de 2 horas no TTOG de 136 mg/dl), que são marcadores de resistência à insulina. Embora o contraceptivo oral combinado (COC) seja eficaz no controle do hiperandrogenismo e na regularização dos ciclos, ele não aborda a resistência à insulina subjacente. A dificuldade na perda de peso, apesar das orientações nutricionais, reforça a necessidade de uma intervenção adicional. Nesse cenário, a metformina é a conduta mais adequada. Ela atua melhorando a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos, reduzindo a produção hepática de glicose e, consequentemente, diminuindo os níveis de insulina circulante. Isso pode levar à melhora do perfil metabólico, auxiliar na perda de peso e reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2. O inositol é um suplemento que pode ter benefícios, mas a metformina tem evidências mais robustas para o perfil metabólico da paciente. Repetir exames sem uma intervenção ativa não seria a melhor conduta diante dos achados.
A metformina é utilizada na SOP para melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir a hiperinsulinemia, auxiliar na perda de peso, regularizar ciclos menstruais e potencialmente melhorar a fertilidade em pacientes com resistência à insulina.
A metformina é indicada em pacientes com SOP que apresentam resistência à insulina, intolerância à glicose, diabetes tipo 2, obesidade ou que não respondem adequadamente às mudanças de estilo de vida para perda de peso.
Não, o COC e a metformina podem ser usados concomitantemente. O COC trata o hiperandrogenismo e a irregularidade menstrual, enquanto a metformina aborda a resistência à insulina e seus efeitos metabólicos.
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