Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Uma paciente de 29 anos de idade queixa-se de irregularidade menstrual há quatro anos. Teve menarca aos 11 anos de idade, com ciclos regulares, com duração de cinco dias e intervalos de trinta dias. Há quatro anos, notou o aumento do intervalo dos ciclos, permanecendo até seis meses sem menstruar. Queixa-se ainda de acne e aumento da pilificação.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a condição que está mais frequentemente associada ao diagnóstico mais provável.
Oligomenorreia, acne e hirsutismo em mulher jovem → suspeitar de SOP. A resistência insulínica é a comorbidade mais frequentemente associada.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum caracterizado por irregularidade menstrual, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos na ultrassonografia. A resistência insulínica é uma característica fisiopatológica central, presente em até 70% das mulheres com SOP, e contribui para o hiperandrogenismo e outras comorbidades metabólicas.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% dessa população. Caracteriza-se por uma combinação de irregularidade menstrual (oligomenorreia ou amenorreia), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) e, frequentemente, a presença de ovários policísticos à ultrassonografia. É uma condição heterogênea com implicações reprodutivas, metabólicas e psicossociais significativas. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, mas a resistência insulínica desempenha um papel central. A hiperinsulinemia compensatória resultante da resistência insulínica estimula a produção de androgênios pelos ovários e glândulas adrenais, além de reduzir a síntese hepática de SHBG, aumentando a fração livre e biologicamente ativa dos androgênios. Este hiperandrogenismo contribui para os sintomas clínicos como hirsutismo e acne, e também para a disfunção ovulatória que leva à irregularidade menstrual. A resistência insulínica é a comorbidade mais frequentemente associada à SOP, presente em até 70% das mulheres com a síndrome, independentemente do peso. Seu reconhecimento e manejo são cruciais, pois ela aumenta o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. O tratamento da SOP, portanto, frequentemente inclui estratégias para melhorar a sensibilidade à insulina, como modificações no estilo de vida e, em alguns casos, o uso de metformina, além de abordagens para os sintomas específicos.
Os critérios de Rotterdam (mais utilizados) exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligomenorreia ou amenorreia, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia, testosterona elevada) e ovários policísticos na ultrassonografia, após exclusão de outras causas.
A resistência insulínica é um fator chave na fisiopatologia da SOP. Ela leva à hiperinsulinemia compensatória, que estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), aumentando os níveis de testosterona livre e exacerbando o hiperandrogenismo.
A resistência insulínica em pacientes com SOP aumenta o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e esteatose hepática não alcoólica. O manejo da resistência insulínica é fundamental para prevenir essas complicações.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo