SOP e Risco de Diabetes: Rastreamento na Atenção Primária

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023

Enunciado

Luisa tem 32 anos de idade e é usuária de uma UBS. Apresenta sobrepeso, tem diagnóstico de síndrome de ovários policísticos e hipertensão arterial.Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Luisa é uma paciente de alto risco para infarto e acidente vascular cerebral, de forma que deve ser acompanhada em serviço especializado e não em UBS.
  2. B) Luisa deve ser encaminhada a um serviço especializado para investigação de câncer de mama imediatamente e, se descartado o diagnóstico, voltar à UBS.
  3. C) Luisa deve ser submetida a procedimentos de rastreamento de diabetes mellitus na própria UBS.
  4. D) Luisa apresenta alto risco para a ocorrência de vários tipos de câncer e, assim, deve ser acompanhada por serviço especializado em oncologia e não em UBS.

Pérola Clínica

SOP + sobrepeso + HAS → alto risco para DM2. Rastreamento de DM na UBS é essencial.

Resumo-Chave

Pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), sobrepeso e hipertensão arterial apresentam múltiplos fatores de risco para resistência à insulina e desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). O rastreamento regular para DM2 é fundamental e pode ser realizado na Atenção Primária à Saúde (UBS).

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. No entanto, a SOP é muito mais do que uma condição ginecológica; ela é um importante fator de risco metabólico, frequentemente associada à resistência à insulina, sobrepeso/obesidade e dislipidemia. A resistência à insulina é um elo central na fisiopatologia da SOP e é o principal motor para o aumento do risco de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). Pacientes com SOP, especialmente aquelas com sobrepeso e hipertensão arterial, como no caso de Luisa, devem ser consideradas de alto risco para o desenvolvimento de DM2. Portanto, o rastreamento regular para DM2 é uma prioridade no acompanhamento dessas pacientes. A Atenção Primária à Saúde (UBS) desempenha um papel crucial no manejo de pacientes com SOP e comorbidades metabólicas. O rastreamento de DM2, que inclui exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada, pode e deve ser realizado na própria UBS, permitindo o diagnóstico precoce e a implementação de intervenções de estilo de vida e farmacológicas para prevenir ou retardar a progressão da doença. O acompanhamento longitudinal na UBS é essencial para o manejo integral desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) têm maior risco de Diabetes Mellitus tipo 2?

A SOP está fortemente associada à resistência à insulina, que é um fator de risco primário para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2, especialmente quando combinada com sobrepeso e hipertensão.

Quais exames são utilizados para rastreamento de Diabetes Mellitus tipo 2 na Atenção Primária?

O rastreamento de DM2 na UBS pode ser feito com glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose (TOTG) ou hemoglobina glicada (HbA1c), conforme as diretrizes clínicas.

Quais outros fatores de risco metabólicos estão associados à SOP?

Além do risco de DM2, a SOP está associada a dislipidemia, hipertensão arterial, obesidade e aumento do risco cardiovascular, exigindo uma abordagem multifacetada na atenção primária.

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