FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Márcia, 22 anos, apresenta quadro de amenorreia, obesidade, acne, pilificação aumentada e acantose nigricans. Sua ginecologista solicitou ultrassom transvaginal que demonstrou ovários policísticos e exames laboratoriais com glicemia de jejum de 115 mg/dl. Segundo o Consenso de Rotterdam, os critérios para síndrome dos ovários policísticos que Márcia apresenta são:
Consenso de Rotterdam para SOP: 2 de 3 critérios (oligo/anovulação, hiperandrogenismo, ovários policísticos USG).
O Consenso de Rotterdam estabelece que o diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: oligo/anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo, e ovários policísticos ao ultrassom. A obesidade e a resistência insulínica são achados comuns, mas não critérios diagnósticos primários.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, sendo a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% delas. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e apresenta um espectro amplo de manifestações clínicas, que vão desde irregularidades menstruais e sintomas de hiperandrogenismo até distúrbios metabólicos. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O diagnóstico da SOP é baseado nos critérios do Consenso de Rotterdam (2003), que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (caracterizada por ciclos menstruais irregulares ou amenorreia), sinais clínicos de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) ou hiperandrogenismo laboratorial (níveis elevados de androgênios), e ovários policísticos à ultrassonografia (presença de 12 ou mais folículos de 2-9 mm em cada ovário e/ou volume ovariano > 10 mL). É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual antes de confirmar o diagnóstico. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir comorbidades. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercícios para perda de peso), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios para hirsutismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina para resistência insulínica e disfunção metabólica. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas a vigilância para comorbidades é essencial.
Os três critérios do Consenso de Rotterdam são: oligo ou anovulação (amenorreia ou irregularidade menstrual), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia.
Não, a obesidade e a resistência insulínica não são critérios diagnósticos primários para SOP, mas são achados muito comuns e importantes para o manejo da síndrome, pois contribuem para a fisiopatologia e as comorbidades.
O hiperandrogenismo pode ser avaliado clinicamente pela presença de hirsutismo (excesso de pelos terminais em áreas androgênio-dependentes), acne grave ou alopecia androgênica, ou laboratorialmente pela elevação dos níveis séricos de androgênios, como a testosterona total ou livre.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo