SOP: Diagnóstico, Hiperandrogenismo e Tratamento Combinado

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015

Enunciado

Mulher de 25 anos de idade, virgem, vem ao ambulatório com queixa de períodos de sangramento irregulares com intervalos que chegam até 60 dias. Exame físico: IMC - 29Kg/m², PA - 140x100mmHg, cintura - 100cm, acne na face e no dorso. Exames complementares: Glicemia - 120mg/dl, HDL - 40mg/dl, TGL - 200mg/dl e Ultrassonografia pélvica - aumento bilateral dos volumes ovarianos e endométrio espessado. Considerando a prevenção de agravos e o quadro clínico acima descrito, qual a melhor conduta para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrever indutor da ovulação associado a cloridrato de metformina. 
  2. B) Prescrever espironolactona e em seguida ressecção ovariana em cunha. 
  3. C) Prescrever análogo de GnRH e em seguida ressecção ovariana em cunha. 
  4. D) Prescrever contraceptivo oral combinado associado a cloridrato de metformina.

Pérola Clínica

Mulher jovem + oligomenorreia + hiperandrogenismo (acne) + obesidade/resistência insulina + ovários policísticos USG → SOP. Tto: ACO + Metformina.

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres jovens, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. O tratamento visa controlar os sintomas e prevenir complicações metabólicas, sendo a combinação de contraceptivo oral e metformina uma abordagem eficaz.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10%. Caracteriza-se por uma constelação de sintomas que incluem disfunção menstrual (oligomenorreia ou amenorreia), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia) e morfologia ovariana policística ao ultrassom. Além disso, muitas pacientes apresentam resistência à insulina, obesidade e maior risco cardiovascular. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais. A resistência à insulina desempenha um papel central, levando a hiperinsulinemia compensatória, que estimula a produção ovariana de androgênios e interfere na ovulação. O diagnóstico é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Rotterdam. A ultrassonografia pélvica é importante para avaliar a morfologia ovariana e o espessamento endometrial. A conduta terapêutica deve ser individualizada, visando o controle dos sintomas e a prevenção de complicações a longo prazo. Para a paciente descrita, com oligomenorreia, hiperandrogenismo, obesidade e sinais de resistência à insulina, a prescrição de contraceptivo oral combinado (para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo) associado a cloridrato de metformina (para melhorar a resistência à insulina e seus efeitos metabólicos) é a melhor abordagem. Medidas de estilo de vida, como dieta e exercício, são fundamentais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

O diagnóstico de SOP é feito pelos critérios de Rotterdam (2 de 3): oligomenorreia/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia (excluindo outras causas).

Por que a metformina é indicada no tratamento da SOP?

A metformina é utilizada para melhorar a resistência à insulina, que é comum em pacientes com SOP, ajudando a regular os ciclos menstruais, reduzir o hiperandrogenismo e prevenir complicações metabólicas como diabetes tipo 2.

Qual o papel do contraceptivo oral combinado na SOP?

O contraceptivo oral combinado é a primeira linha para o tratamento dos sintomas de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e para regular os ciclos menstruais, além de proteger o endométrio contra a hiperplasia devido à anovulação crônica.

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