SOP: Critérios Diagnósticos e Apresentação Clínica

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 18a, nuligesta, procura atendimento médico com ciclos menstruais irregulares de 90 -120 dias desde a menarca. Antecedente pessoal: menarca aos 11 anos.Exame físico: IMC= 26,7Kg/m², índice Ferriman-Gallwey= 9. PARA REALIZAR O DIAGNÓSTICO É NECESSÁRIO:

Alternativas

  1. A) Elevação sérica de insulina e teste de tolerância à glicose alterado.
  2. B) Presença da relação LH/FSH > 2 e medida da circunferência abdominal > 88 cm.
  3. C) Padrão menstrual de anovulação crônica e hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico.
  4. D) Aumento do volume ovariano com presença de folículos periféricos à ultrassonografia.

Pérola Clínica

SOP diagnóstico = 2 de 3 critérios de Rotterdam: anovulação crônica, hiperandrogenismo (clínico/bioquímico), ovários policísticos USG.

Resumo-Chave

O diagnóstico da SOP é clínico e laboratorial, baseado nos critérios de Rotterdam. A paciente apresenta oligomenorreia (anovulação crônica) e hirsutismo (hiperandrogenismo clínico), necessitando de mais um critério ou confirmação laboratorial para fechar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, com prevalência de 5-10%. É a principal causa de anovulação crônica e hiperandrogenismo, impactando a fertilidade e a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em disfunção ovariana, resistência à insulina e hiperandrogenismo. A resistência à insulina, presente em muitas pacientes, contribui para o aumento da produção de androgênios pelos ovários. O diagnóstico é estabelecido pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligomenorreia ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou bioquímico, e ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios) para combater a resistência à insulina e o excesso de peso. Para irregularidades menstruais e hirsutismo, anticoncepcionais orais combinados são frequentemente utilizados. Metformina pode ser considerada em casos de resistência à insulina. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas a SOP requer acompanhamento contínuo devido ao risco de comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam incluem oligomenorreia/anovulação crônica, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou bioquímico (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia. São necessários 2 de 3 para o diagnóstico.

Qual a importância do índice de Ferriman-Gallwey na SOP?

O índice de Ferriman-Gallwey é uma ferramenta para quantificar o hirsutismo, um sinal clínico de hiperandrogenismo, que é um dos pilares diagnósticos da SOP. Um escore ≥ 8 geralmente indica hirsutismo.

É necessário ter ovários policísticos na ultrassonografia para diagnosticar SOP?

Não necessariamente. A ultrassonografia é um dos três critérios de Rotterdam. O diagnóstico pode ser feito com anovulação crônica e hiperandrogenismo, mesmo sem a imagem ultrassonográfica típica, especialmente em adolescentes.

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