Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Uma mulher de 31 anos de idade, nuligesta, procurou o serviço de ginecologia endócrina com o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos (SOP) e queixando-se de hiperandrogenismo. Foi introduzida pílula combinada. Não há antecedentes familiares dignos de nota. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
SOP + hiperandrogenismo → Pílula combinada (etinilestradiol) ↑ SHBG → ↓ testosterona livre.
O etinilestradiol presente nos contraceptivos orais combinados é metabolizado no fígado, onde estimula a produção de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais). O aumento da SHBG resulta na ligação de mais testosterona, diminuindo a fração livre e biologicamente ativa, o que é fundamental para o tratamento do hiperandrogenismo na SOP.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. O hiperandrogenismo, manifestado por hirsutismo, acne e alopecia, é uma das principais queixas e um alvo terapêutico importante. O tratamento visa controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Os contraceptivos orais combinados (COCs) são a primeira linha de tratamento para o hiperandrogenismo na SOP em mulheres que não desejam engravidar. O mecanismo de ação envolve a supressão da secreção de gonadotrofinas (LH e FSH) pela hipófise, o que diminui a produção ovariana de androgênios. Além disso, e crucial para a questão, o componente estrogênico (geralmente etinilestradiol) induz o fígado a aumentar a síntese de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais). O aumento da SHBG resulta em maior ligação da testosterona circulante, diminuindo a fração de testosterona livre e biologicamente ativa. Essa redução da testosterona livre é fundamental para a melhora dos sintomas de hiperandrogenismo. É importante ressaltar que pílulas contendo apenas progestógenos não possuem o componente estrogênico que eleva a SHBG, sendo menos eficazes para o tratamento do hiperandrogenismo. A escolha do progestógeno também pode influenciar, com alguns progestógenos tendo menor atividade androgênica intrínseca.
Os contraceptivos orais combinados tratam o hiperandrogenismo na SOP principalmente por dois mecanismos: supressão da produção ovariana de androgênios e aumento da síntese hepática de SHBG pelo estrogênio, o que reduz a testosterona livre.
A SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) liga-se à testosterona, tornando-a biologicamente inativa. Níveis elevados de SHBG resultam em menor testosterona livre, aliviando os sintomas de hiperandrogenismo como hirsutismo e acne.
O etinilestradiol, um estrogênio sintético comum em pílulas combinadas, é crucial porque estimula o fígado a produzir mais SHBG, que se liga à testosterona e a inativa, reduzindo os efeitos do excesso de androgênios na SOP.
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