Síndrome dos Ovários Policísticos: Diagnóstico e Critérios

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Jovem de 23 anos procura atendimento ginecológico com queixa de acne, oleosidade da pele e aumento de pelos na face, queixas que são confirmadas no exame físico. Refere também que os ciclos menstruais são irregulares. Nega doenças crônicas, uso de medicamentos ou doenças familiares dignas de nota. Foi solicitada ultrassonografia transvaginal, que revelou útero normal, ovário direito com 13 cm³, contendo 23 cistos com diâmetros menores de 8 mm, e ovário esquerdo com 15 cm³, contendo 28 cistos com diâmetros menores de 8 mm. Os níveis séricos dos androgênios testosterona, androstenediona, DHEA e SDHEA se encontram dentro do limite da normalidade, assim como os níveis sanguíneos de TSH e prolactina. Analisando o quadro clínico descrito, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Macroprolactinoma.
  2. B) Transição menopáusica.
  3. C) Hiperplasia adrenal congênita.
  4. D) Síndrome dos ovários policísticos.

Pérola Clínica

SOP = 2/3 critérios de Rotterdam (hiperandrogenismo clínico/laboratorial, oligo/amenorreia, ovários policísticos USG), mesmo com androgênios normais.

Resumo-Chave

O quadro clínico de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e disfunção menstrual (ciclos irregulares), associado à morfologia ovariana policística na ultrassonografia, preenche os critérios de Rotterdam para SOP, mesmo com níveis de androgênios séricos dentro da normalidade.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e tem implicações metabólicas e cardiovasculares a longo prazo, tornando seu diagnóstico precoce e manejo essenciais para residentes. O diagnóstico da SOP é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo-ovulação ou anovulação (ciclos irregulares), sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos na ultrassonografia. É crucial excluir outras condições que mimetizam a SOP, como hiperplasia adrenal congênita, tumores secretores de androgênios, hipotireoidismo e hiperprolactinemia, através de exames laboratoriais específicos. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo menstrual e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios para hirsutismo e acne, e metformina para resistência à insulina e disfunção ovulatória. O manejo da infertilidade pode envolver indutores de ovulação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Para o diagnóstico de SOP, dois dos três critérios de Rotterdam devem estar presentes: 1) Oligo-ovulação ou anovulação (manifestada por ciclos menstruais irregulares); 2) Sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica ou testosterona elevada); 3) Ovários policísticos na ultrassonografia (≥ 20 folículos de 2-9 mm e/ou volume ovariano > 10 mL em pelo menos um ovário).

É possível ter SOP com níveis de androgênios séricos normais?

Sim, é possível. O diagnóstico de SOP pode ser feito com base no hiperandrogenismo clínico (como hirsutismo ou acne) mesmo que os níveis séricos de androgênios (testosterona, DHEA) estejam dentro da faixa de normalidade.

Quais condições devem ser excluídas antes de diagnosticar SOP?

Antes de diagnosticar SOP, outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual devem ser excluídas, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores secretores de androgênios, disfunção tireoidiana (hipotireoidismo), hiperprolactinemia e síndrome de Cushing.

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